Bem, minha insatisfacao aqui chegou num ponto muito elevado nas ultimas semanas, por isso comecei a elaborar meu plano de fuga. Nao queria largar a familia, porque eles sao otimos pra mim, entao tentei fazer as coisas do jeito "certo". hahahhaha
Inventei uma historia, que como bom mentiroso sabe, precisa de partes de verdade. Entao coloquei partes de verdade e a mentira foi somente que meu pai (foi mal, pai hahahah) exigia minha volta em um mes, e que se eu nao voltasse, ele iria complicar minha vida assim que eu botasse os pes na terra brasilis.
Ate esse ponto, achei que o unico problema para a familia seria ter que achar outra au pair, mas depois que avisei a familia e a familia falou com a coordenadora, fiquei sabendo que eles teriam que pagar uma taxa alta para a agencia, seria como se eles tivessem se inscrevendo de novo, e eles perderiam todo o dinheiro que eles haviam gasto pra me achar. Nesse ponto, minha consciencia comecou a pesar!
O que acontece e o seguinte. Tanto familia, agencia e au pair sabem do contrato de risco que estao assinando. A familia tem direito a 1 troca de au pair, se tiver que trocar de novo, tem que se reinscrever. Eu ja sou a segunda au pair, a primeira eles mandaram embora com 2 semanas aqui. Entao eles conhecem os riscos. Eu tenho direito a tres familias, ou seja, 2 trocas. Esse e o contrato, e essa e a vida, mas eu me senti mal de fazer isso com eles.
Muitos falam que eu tenho um compromisso com eles, mas nao acho que seja assim. Meu contrato e com agencia, e como todo o contrato, existe uma clausula de quebra. Entao e a vida mesmo, estou no meu direito. Isso nao e falta de moral ou etica. Falta de etica e ficar aqui sem querer e nao fazer o trabalho direito, so pra depois receber a passagem e a grana final do programa.
Bem, independente de ter a certeza de estar no meu direito, decidi ficar porque gosto da familia, mas terei que buscar algumas mudancas, nao da pra ficar aqui querendo estar em casa, nao da pra ficar aqui infeliz. Decidi comecar a academia mesmo, nao vou esperar a primavera, vou agora. Acho que hoje mesmo vou resolver isso, pelo menos sera algo a mais pra fazer fora de casa, apesar de eu achar que pode ficar puxado demais, e que eu vou ficar cansada demais, sera algo que eu vou fazer por mim, pra melhorar meu corpo e minha saude, entao acho que vale o esforco.
Alem disso, vou tentar procurar outras coisas pra fazer que me interessem. E a familia esta buscando possibilidades de atividades com as criancas que nao me deixem tao entediada, levar pra shopping, comer fora, essas coisas. O fato e que nao da pra continuar do jeito que ta, se eu vou continuar a situacao tem que mudar.
A vida aqui nao e facil, e quando a gente sai do Brasil, a gente pode saber de tudo, mas mesmo assim nao tem nocao do que e isso aqui. E a gente tem o direito sim de bancar um desistencia, nao e qualquer um que e capaz de viver dessa forma. Eu tenho amigas felicissimas por estarem aqui, que estao se divertindo horrores, mas se nao e esse o meu caso, eu tenho obrigacao de continuar? Na minha opiniao, nao. Agora eu ja sei todas as consequencias de uma decisao de voltar, nao descarto a possibilidade de voltar mesmo, mas por enquanto vou tentar mais e esperar dias melhores.
Ah, nao entendam que a nao estou gostando, e so que vejo mais vantagens pra mim estando no Brasil do que estando aqui. E podem chamar de egoismo, e assim que funciona. Fui chamada de egoista pela coordenadora da agencia, mas a primeira coisa que ela me falou e que se eu fosse existia uma grande possibilidade dela perder a familia. Nesse caso, ela esta pensando em quem? No emprego dela! A Dawn tambem esta pensando nela, nos filhos dela e na grana dela. So que a errada sou eu por pensar em mim!
Estou fula da vida com a coordenadora, e vou mandar um e-mail educado falando tudo pra ela. A proxima vez que ela desejar colocar alguem na parede, que ela tenha argumentos reais, e nao que venha atacar etica e moral. Se tem alguem fazendo algo errado, e a agencia que nao protege a familia de casos mais que possiveis de desistencia. Nao e qualquer um que aguenta isso aqui por esse salario de miseria! E eles mesmo sabem que a gente so sabe como e a vida aqui e como iremos reagir a isso quando estamos aqui. Entao que facam por onde manter suas familias.
Entao, e isso, por enquanto estou ficando. Mas como boa Carolina, vou comecar a briga com a agencia por ter tido que ouvir o que ouvi da coordenadora. E ela que se prepare! rsrsrs E como sempre disse, se nao der certo, to voltando. Foi assim que eu vim pensando, e e esse o direito que eu quero ter!
3 comentários:
Nana,
Eu imagino o que você esteja passando. Eu também um dia me aventurei (só que foi dentro do próprio país - Tocantins). Costumes diferentes, filosofia diferente... Em Tocantins eu tinha um salário razoável, alimentação, casa... mas, não tinha crescimento pessoa (na cidade q fiquei, de formada: só eu, uma amiga e a dentista que vinha de 15 em 15 dias). Ah! Não tinha net, telefone (só um público).. pense! Voltei! Por isto eu sei o q vc passa longe da família e sem expectativa de futuro. Mas, no seu caso, tem,ainda, um outro lado: os EUA está vivendo um inicio de recessão e os americanos não estão acostumado a isto... Então eu sei o que vc passa e a família q vc está também. Sei também, que não é questão de ética ou moral, mas algo contratual. Por outro lado, fora os direitos do contrato material, vc tem que ver também o lado humano. No meu caso em Tocantins eu não sofri com isto, pq o Estado supriu a minha vaga, sem ônus para ninguém. No seu caso, isto existe, é fato. Faça o melhor para você, mas, não magoe as pessoas. Amo você! Nana Nina, linda da titia!!!!
Carol...
Nao tah feliz com a familia? Muda sem pensar!!
Se eles nao estao felizes com a gente, eles mudam sem pensar duas vezes!
Nossa, Carol! So' estando aqui para saber que isso nao e' vida, ne'? Nao penso em voltar nao, so' quero casar logo e ter minha casa! Segundo ano como au pair? MENINE, FICO ILEGAL, HAHAHAHAHA Certeza. Au pair de novo? Foi o que disse para minha amiga, nem sponsada.
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