sábado, 6 de abril de 2024

Igrejas

Catedral de São Patrício


Hoje foi dia de Igreja. Visitei três. Todas muito próximas uma das outras. Nenhuma era igreja católica, pra minha surpresa. Todas foram católicas em algum momento na história, mas hoje não são.
Comecei pela Catedral de São Patrício. Fiquei horas por lá observando o teto, os vitrais, o piso e as formas. O piso é uma das minhas partes preferidas nas duas primeiras igrejas que fui. Lindíssimos.

Minha casa vai ser assim. Será que fica caro?

Depois segui pra Catedral da Santíssima Trindade. O nome em inglês é Christ Church Cathedral, mas o panfleto em português vinha com o nome de Santíssima Trindade. É muito bonita. A St Patrick's é tão grande que chega a ser um pouco opressora. A da Santíssima Trindade é menor, mas a sensação estranha é muito maior lá. Não sei por quê, mas me sinto desconfortável nela. Aliás, é a segunda vez que visito essas igrejas, a primeira foi em 2015, e a sensação é a mesma.


Nessa Catedral está o coração mumificado de São Laurence O'Toole. O coração está dentro de uma forma em formato de caricatura de coração. Nessa hora que você vê que não é uma igreja católica. Quando que uma igreja católica gótica ou neogótica teria um coração mumificado de um santo guardado em forma? Jamais. Se fosse católica, o coração estaria exposto. É uma das coisas que mais gosto na Igreja Católica: a estética é um pouco mórbida. Santidade sempre vem acompanhada de humanidade. Nada mais humano que carne. Todos os pedaços de Santos espalhados em igrejas pelo mundo não me deixam mentir.
Essa igreja tem uma cripta que foi usada pela série The Tudors nas filmagens. Tem muita gente enterrada aí.

Próxima Igreja foi a St Audoen. É uma igreja que já foi meio destruída e agora está meio recuperada. Nunca recuperaram tudo. É a mais simples. Fui lá porque tava no caminho e era de graça.

O teto foi todo recuperado, mas não está em acordo com o que era na época. Achei isso ruim. Pra mim, é estranho demais ver igreja que fecha durante o dia. Não tenho certeza, mas no Brasil as igrejas sempre estão abertas pra qualquer um entrar. Aqui, as igrejas que não são de visitação só abrem em horário de missa. Nunca vi isso. Sempre entrei em todas as igrejas no meu caminho em todos os países que visitei e sempre estiveram abertas. Essas três que fui são de visitação, então estavam abertas.

Em St Audoen, existe uma pedra da sorte. Eu passei a mão dela sim. Tô precisando de um pouco de sorte. Tenho até vergonha de reclamar considerando todas as coisas que estou vivendo, só não queria que terminasse antes do planejado. Tô tentando encontrar paz e resignação. O que vier, virá para o meu benefício. De resto, não posso fazer nada. Mas queria muito terminar o que vim fazer.

A parte que mais gostei em St Audoen é a parte sem teto. O arco é lindo.
O dia estava muito bonito. Talvez fosse dia de visitar parque e jardim, não igreja. Nunca sabemos se o dia seguinte será de chuva. De qualquer forma, foi um excelente dia. Andei bastante. Peguei ônibus vazio, que é sempre sucesso. E é isso aí. Tô só esperando roupa secar (pode demorar alguns dias) e sigo pra próxima parada.
Vou tentar aproveitar o máximo possível, como literalmente todo mundo está falando e que eu adoraria saber o que significa, antes de voltar.

Escrito em 2/4/24.





sexta-feira, 5 de abril de 2024

De volta

Caminhos floridos em Giants of Causeway 


Hoje foi dia de estrada. 3h de direção para chegar em Dublin. Entreguei o carro. Agora é esperar pra ver se ficou tudo certo, mas até o momento parece que deu certo. Vitória do povo de Deus!
Não tirei nenhuma foto de hoje. Foi estrada e já comentei como é aqui, tudo muito rápido. O interessante dessa volta é que libra e euro vão se revezando no caminho. Primeiro tá tudo em quilômetro, depois vai pra milha, volta pra quilômetro, depois milha de novo, até metade do caminho. Depois fica tudo quilômetro mesmo.
Deixei o carro no aeroporto e peguei o ônibus de volta pra cidade. Hoje é feriado na Irlanda. Achei o dia bem tranquilo. Não estava tão movimentado. Hoje já está frio e nublado de novo. Estou repensando essa história de que eu gosto de frio e nublado. Bate um desânimo mesmo. Por isso que o povo sai daqui procurando sol. Já falei e repito: 15 a 17°, levemente nublado. Esse é meu ideal. Com relação a mergulho, acho que não tenho nem coragem de entrar numa água nessas condições de temperatura. Não há roupa seca que me faça lidar com isso (sem contar que precisa de um curso específico pra usar a roupa seca). Vamos esperar o aquecimento global. Até lá, mergulho só em mar do Caribe.

Amanhecer em Derry.

Também começou o horário de verão por aqui (Lula, volte com o horário de verão!). Então estou 4h distante de vocês agora. Se mandar mensagem 17h daí, provavelmente só verei no dia seguinte 3h da manhã quando estiver acordando. Aqui já temos luz natural até umas 20h. Só vitórias.

Escrito em 1/4/24.

quinta-feira, 4 de abril de 2024

Uma Derry Girl

Derry livre


A história de Derry é muito antiga, começa antes de 1600, mas os muros só são construídos de 1613 a 1619. É um dos maiores exemplos de cidades muradas na Irlanda. Toda a cidade fica dentro dos muros. Os muros foram construídos para resistir aos ataques ingleses, que tentavam invadir a Irlanda. Os muros resistiram por 105 dias. Séculos se passaram, Derry é parte da Irlanda do Norte e do Reino Unido e continua como centro da resistência por uma Irlanda unificada e livre.

Ilustração antiga

Acho que quem é da minha idade vai lembrar de toda a guerra e violência na Irlanda. Lutas pela unificação da Irlanda acontecem de forma organizada há pelo menos um século. No monumento para lembrar os prisioneiros políticos que morreram em greve de fome, os primeiros morreram em 1920, os mais recentes em 1981. São décadas de luta e Derry tem sido uma das cidades mais importantes nessa organização.

Eu lembro de ver na TV, nos anos 90, as bombas e o IRA. Não entendia tudo, mas as notícias chegavam pra gente.
Mesmo assim, nunca tinha ouvido falar da cidade até a série da Netflix Derry Girls. Elas eram adolescentes nos anos 90. Eu ainda era criança. A série começa em 1994, pra ser mais exata, e vai até 98. Pelo os meus cálculos, elas são uns 4 anos mais velhas que eu na série. O Take That é parte da trilha sonora. Talvez isso tenha ajudado na minha identificação com as meninas de Derry.
Foi assim que cheguei em Derry: uma série na Netflix sobre adolescentes tentando viver a vida num mundo turbulento.

Os muros

A luta em Derry nunca terminou. Não há mais violência, mas há mobilização. Os republicanos ainda lutam por liberdade. Querem um país independente ou a unificação da Irlanda, mas não querem continuar no Reino Unido. A Escócia também está em processo de sair do Reino Unido. Vamos ver como serão os próximos capítulos. Acho que o brexit foi um momento muito definitivo nessa região. Nenhum outro país, exceto a Inglaterra, queria sair da União Europeia e eles decidiram pela quantidade de votos por todos os outros.

Ponto de encontro das Derry Girls

Derry respira política. Cartazes encorajando a população a aderir aos sindicatos. Bandeiras da Palestina e Irlanda em todos os lugares. Não tive a oportunidade de conversar com ninguém. Era domingo de Páscoa. As pessoas que estavam na rua estavam cuidando da própria vida (se exercitando, levando cachorro pra passear, levando criança pro parquinho) ou turistas. Era pouca gente, de qualquer forma. Então só posso falar pelo que vi e senti. É uma cidade de luta que ainda espera ver seu povo unido.
A história é muito recente, as pessoas ainda estão vivas. No caminho pro muro, tem uma casa com uma placa e foto de um menino de 11 anos. Ele foi morto pela polícia britânica com um tiro na nuca em 1982. É a casa da família dele. A mãe já morreu, mas o pai e os irmãos ainda moram lá. A história é recente demais.

Essa 'crise' é o capitalismo. A guerra é contra a classe trabalhadora. Não caiam nas mentiras deles.

Os muros de Derry

Vista do muro

Em Derry, o que não falta é história de luta. São séculos de resistência. Acho que a diferença para outros lugares é a quantidade de tempo organizados em uma causa. Em toda a Irlanda dá pra ter essa sensação de que a revolução (fim do domínio inglês e unificação da Irlanda) não terminou, mas nada se compara com Derry. Lá, tudo está vivo.
Na saída da cidade, passei pela igreja também. É a Igreja de St Eugene. Uma lindíssima igreja em estilo neogótico. Igreja católica num país protestante.

Pra terem uma ideia melhor, olhem na internet. As fotos estão daquele jeito.

Antes de voltar pro carro, sentei um pouquinho no parque observando a cidade. Se todos os lugares fossem mais como Derry, acho que teríamos uma chance.
No fim, saio mais Derry Girl que entrei.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Um dia de turista

Em Giants of Causeway


Hoje foi o primeiro dia desde que pisei os pés nessas ilhas que me senti turista pra caramba.
Foi um dia lindo de sol com temperaturas confortáveis então não tinha um ser humano dentro de casa. Todas as pessoas foram pra rua e tudo ficou lotado.
Minha primeira parada foi em Dark Hedges. Na série Guerra dos Tronos, quando a Arya segue o rumo dela, ela passa por uma estrada com árvore que formam um túnel. Essa aí embaixo. Então, do dia pra noite, um pedaço de estrada na pqp da Irlanda do Norte virou atração turística.

Essas pessoas atrapalhando minha foto.

Como podem ver, muitas árvores caíram. Já estão replantando, mas vai demorar muito pra conseguir recuperar tudo. As originais foram plantadas em 1775, então vamos aguardar que vai dar tudo certo.
Essa avenida virou ponto turístico desde o episódio. A área foi visitada por milhares de pessoas. Todo turismo é predatório. Não tem como se enganar. Quanto mais gente em um lugar, mais degradado ele será. De lá pra cá algumas providências foram tomadas. Principalmente, fecharam a pista para automóveis. Nada de carros ou ônibus podem passar por aí, apenas pedestres. E agora os caras mostram que não são trouxas (mas turista é): proibiram a passagem de carros e fizeram um estacionamento cobrando 5 libras por carro. Não tem um banheiro pra contar história, só a catraca cobrando dinheiro. A propriedade é gigante. Acho que o hotel já existia antes da série, mas agora tem um café, hotel, estacionamento e a parte de fazenda mesmo. Devem estar ganhando muito dinheiro. Mas isso é o que dá pra fazer pra evitar a degradação humana. A natureza, por outro lado, é indomável. Os ventos são responsáveis pela derrubada de praticamente todas as árvores que caíram.

E foram muitas.

Bem, eu achei legal. Quero ir há muito tempo e agora fui. Pra quem é fã da série, acho que vale a pena (GRRMartin, ainda estou esperando os últimos livros. Eu acredito!).
De lá, segui pra Giants of Causeway. Não é minha primeira vez em Causeway. A primeira vez que fui, em 2015, fui de ônibus de turismo. Passei mal (odeio ônibus desse tipo). A vizinha de poltrona, uma mulher dos EUA, me ofereceu um remédio (gente, não aceite drogas de estranhos). Aceitei. Daí pra frente minha memória é uma confusão só. Eu não entendi o que o guia falou. Não entendi o que estava acontecendo. Só sei que fui por uma direção e não vi de fato o Causeway. Dessa vez, completamente sóbria, entendi tudo o que estava acontecendo. Paguei pra entrar direitinho. Fui com a guia explicando toda a geologia da área e depois fiz as caminhadas.

Cheio de gente em todos os lugares

Obviamente que essa formação rochosa é formação vulcânica, mas existe a história folclórica: dois gigantes brigavam um com o outro. Um estava na Escócia e o outro na Irlanda. O gigante da Irlanda construiu o Causeway pra atacar o da Escócia enquanto ele dormia, mas chegando lá percebeu que o outro era muito maior que ele, então voltou correndo pra Irlanda. O escocês o seguiu até a Irlanda. Pra fugir do maior, o menor se fingiu de bebê. Num dado momento, o 'bebê' mordeu o escocês, que pensou 'se o bebê é assim, não quero ver o pai' e fugiu de volta pra Escócia. Pra evitar ser seguido, destruiu o Causeway, ficando uma parte na Irlanda e outra na Escócia, sem se ligarem.

Detalhes da formação

Um excelente dia para geólogos

Não tem como reclamar de um dia assim

Parece que eu estava só, mas estava lotado de gente

As pessoas no começo da caminhada e eu no final 

Depois disso fui pra Derry (só soube que Derry existe por causa da série da Netflix. Você já assistiram? Assistam Derry girls!). Não deveria ter ido. Muito difícil dirigir em cidade e eu já estava cansada o suficiente. Agora é esquecer a experiência pra não sair traumatizada amanhã.
Segunda feira é feriado e está programada uma manifestação dos republicanos. Ano passado foi meio violento. Já não estarei aqui. Eu espero viver o suficiente pra ver a Irlanda unificada.

Talvez seja difícil de ver, mas é uma bandeira da Palestina e outra da União europeia.

Derry está coberta de bandeiras da Palestina e textos em gaélico que dizem com todas as letras que eles (os irlandeses) são a Palestina. Eles viveram a violência da colonização e não se esquecem.
Bem, espero que a manifestação pela liberdade da Irlanda ocorra pacificamente. Se manifestar não é crime. Ano passado as forças policiais pensaram diferente e causaram caos.
Amanhã estou pensando em parar o carro num estacionamento e andar tudo o que conseguir. Não quero dirigir em cidade!
Amanhã é meu último dia por essas bandas. Segunda estarei em Dublin de novo.

Escrito em 30/3/24.



terça-feira, 2 de abril de 2024

Mais pedras

Hell's Hole

Dois dias sem postagem porque fiquei dois dias sem fazer nada, além de dar voltinha pela cidade. Acredito que seria interessante pra algumas pessoas, mas não tenho interesse em falar sobre isso. Foram dois dias feios, chuvosos, nublados, com vento muito forte. Foi horrível. Saí o necessário pra comprar comida e é só. Fico muito mal em perder dias em euro ou libra.
Ainda bem que estava num local muito bom e confortável e os proprietários eram excelentes. No primeiro dia, quase toquei fogo na casa e até agora me sinto mal por isso (a calça tava muito molhada, o radiador do aquecimento não estava funcionando, tinha um aquecedor de tomada, coloquei parte da calça em cima, saí pra comprar comida, quando voltei a calça estava pronta pra pegar fogo).

Eu ia matar os velhinhos por nada

Ninguém morreu, graças a Deus, e eu fiquei mais dois dias com eles. Saí hoje. Eles estavam recebendo os netos e o resto da família pra Páscoa. Senti falta das minhas sobrinhas, mas se tivesse em Brasília provavelmente não faria nada, então vou ficar quieta.

Uma ponte que eu gostei no caminho 

Hoje fui pra Malin Head. O dia estava lindo, por isso o senhor da pousada disse pra ir pra lá. Valeu a pena. É lindo demais mesmo, mas vocês não verão porque as fotos não transmitem a beleza. Andei um pouco (não tem tanto pra andar) e fiquei contemplando o mar. Não tem muito mais pra fazer lá, mas gostei muito de ficar sentada olhando o mar.

Coloquei essa foto pra dar uma noção de tamanho com aquelas pessoas lá em cima.

É bonito. Na saída, precisava ir ao banheiro, mas estava fechado. Raro ter banheiro disponível e quando tem estava fechado. Fiquei no carro organizando o maps pra próxima parada e o cara apareceu pra abrir. Provavelmente esqueceu. Pelo menos não tive que fazer xixi no mato de novo. Nesse caso, não seria possível porque tinha gente demais e mato de menos.
O dia estava bonito. Todo mundo foi pra rua. Até ônibus de excursão de escola parou por lá (sexta feira santa não é feriado aqui). Ainda bem que cheguei cedo e saí quando a movimentação começou. Hoje é sexta, véspera de Páscoa, então tinha muita gente nas estradas.
De Malin Head fui tentar ver o círculo de pedras e a tumba, são bem próximos. Dessa vez consegui, mas a que custo. Parei na casa errada. Era a casa de uma artista que trabalha com madeira. Obviamente, tive que ficar pra ver a arte dela (bem legal e ela e o marido foram muito gentis). Ela fez um monte de perguntas pra mim. Dá pra ver quando o pessoal tem preconceito com imigrante. Todos perguntam se eu pretendo voltar pro meu país. Sim, pretendo. É minha casa. Mais engraçado é que a maioria dos irlandeses tem algum familiar que migrou pra algum lugar. No caso dessa artista, o filho está em Bonaire.
Depois dessa parada, fui na direção indicada e não achei nada. Um anjo me viu perdida e saiu de carro pra me achar e dar a direção. Afundei em cocô de ovelha de novo? Com certeza!

Templo de Deen ou altar druida (parte de trás)

Nesse daí há mortos enterrados. São duas câmaras. Não dá pra ver tão bem porque cada ângulo parece um local novo, mas dá pra ter uma ideia.

Parte da frente 

Parece um portal (essas duas pedras maiores e paralelas no centro) e uma cripta de cada lado. Imagino que tinha pedras em cima, cobrindo, igual a Kilclooney Dolmen, mas posso estar errada.
Além disso, vi o círculo de pedra.

Círculo de pedra de Bocan

Quase tive um passamento por causa dessa pedra do lado esquerdo da foto. Estava distraída, tirando foto, quando essa figura entrou no meu campo de visão. Parece uma pessoa, cara. Isso aí foi crueldade dos alienígenas com certeza. Completamente desnecessário. Foi um susto real. Demorei uns minutos pra me recuperar, mas tô bem, me senti o Chicó frouxo, mas tô bem.
Cheguei na próxima parada. Esse negócio de pés molhados e sujos com lama e cocô e xixi de ovelha está me incomodando porque reduz meu dia. Não dá pra ficar horas e horas com pé assim. Não quero pegar pereba. Lavei tênis e meias. Já estão secando no radiador. Amanhã tenho duas possibilidades de passeio. Tudo depende de como o dia será. Se for tão lindo quanto hoje, vou pro mato. Se for chuvoso, fico na cidade.
Minha cabeça já está perdendo a noção. Não sei que língua falo, em que país estou (e não é só porque estou em Derry e não sei se é Irlanda ou Irlanda do Norte), não faço mais nenhuma confusão de que faixa de pista dirigir, ou seja, está ficando natural, ou seja, está mais perigoso. Agora terei que forçar a pensar sempre pra não ter problema de acidente.
P.S.: tá ficando mais difícil escolher música. Não quero parar, mas estou pensando demais no assunto. Estou incomodada pela diferença absurda na quantidade de músicas de homens e de mulheres. Infelizmente, minhas referências musicais são, no geral, masculinas. Fico forçando pra colocar mulheres e estou perdendo a naturalidade do processo.

Escrito em 29/3/24.


segunda-feira, 1 de abril de 2024

Tudo ao mesmo tempo

Magic road


Hoje era dia de ver pedra de novo. Cheguei no primeiro local e não tive coragem de entrar. Era lama até o joelho e não tinha nem certeza que ia chegar em algum lugar. Pra mim, o pior desse tipo de turismo aqui na Irlanda é que não tem informação de nada. Como eu vou entrar na propriedade de alguém (a maioria é propriedade privada) sem nem saber se estou no lugar certo? E é assim que tem sido.
Ontem parei numa casa, o senhor me apontou a direção. Fui. Quando cheguei lá, tinha um monte de placa avisando que poderia ser atacada por animais. Fui embora. O mesmo senhor passou por mim e disse que era só ovelha, que eu não ia ser atacada. Queria mostrar os vídeos de ovelha atacando pessoas pra ele ver que ovelha não é brincadeira. Fui de novo, não fui atacada, mas é complicado tentar ver as coisas nessas condições. O de hoje, eu nem sei se estava no lugar certo.
Aliás, dois de hoje. Queria visitar dois dolmos e não achei nenhum. Amanhã vou de novo. Espero que o clima esteja um tiquinho melhor e que eu consiga alguém pra me ajudar a chegar no local correto.

Subindo o Gap. O dia estava lindo.

Acabou que só fui ao Gap de Mamore. Passei a caminhada toda pensando na Anitta viajando sozinha. Ela tava sozinha mesmo ou só sem conhecidos? Ela pegou o carro (ou um táxi) parou no estacionamento e subiu a montanha só? Acho que tinha guia.
Sinceramente, se tivesse como, não faria nada disso sozinha. Não me entenda mal, eu amo. Hoje andei bem 3h na montanha, fiz xixi no mato, afundei em cocô de ovelha, segui setas em tocos, escolhi os caminhos, subi subi e subi até um ponto que não dava mais pra ver o mar. Aí pisei em falso e fiquei pensando o que aconteceria se me machucasse ali. Alguém saberia onde eu estava? Falei pro pessoal da hospedagem, mas eles dariam falta de mim? Alguém veria meu carro parado e faria algo? Meu celular, eu garanto, não estava funcionando. Como ficaria? Se fosse a Anitta, jamais correria esse risco. A Sandy, ok, tá em cidade. Zero problemas em estar só. Minha questão é programa de meio do mato. Eu teria auxílio se tivesse a opção. É uma pisada em falso e você tá lá contemplando cortar a própria mão pra sobreviver. Sem condições.

O dia hoje estava lindo e aí, umas 15h, virou. Ficou muito frio e nublado. Ainda visitei uma ruína de igreja. Ainda tentei um dolmo. Mas meus pés estavam encharcados e o frio tava me fazendo mal. Voltei pra hospedagem antes das 17h.

Igreja de St. Columba em Straid.

St Patrick's High Cross.

E esse foi meu dia: passeando e pensando em cortar um membro por sobrevivência, ou seja, o mesmo de sempre.

Escrito em 26/3/24.