sábado, 22 de junho de 2024

Dia de viagem

10h de viagem 


Daqui pra frente, só Jesus na minha causa.
O quarto onde estava era misto e, apesar de ter homens, a maioria era mulher. Acho que, apesar de ter sido horrível, isso segurou um pouco minha onda. Essa noite só tinha homem e um deles era um porco. Não tenho certeza de qual, mas suspeito que era um sujeito mais velho.
Fui usar o banheiro e estava tudo mijado. Procurei outro, que era mais distante e desconfortável, e usei. Povo da limpeza limpou e beleza. Cheguei do show, tudo certo. Acordei de madrugada pra fazer um xixi e estava tudo mijado de novo. A camisa desse cara estava pendurada no banheiro e eu a usei pra limpar a privada. Bem, tenho quase 100% de certeza que o mijo era dele. Se não for, fazer o que? Vai pagar por todos os homens do quarto. Todo mês eu pago pelos erros de Eva e ela só comeu uma maçã, imagina se ela tivesse mijado toda a privada?
Zero arrependimento, mas sei que cruzei um limite. Cinco noites dormindo mal, meu humor tá horrível. Esse foi o pior albergue que já fiquei na minha vida. Nunca vi um lugar tão ruim. Até o fato de não ter como correr um vento... Tudo fedido. Bem, foi extremamente desconfortável. Agora quero esquecer.
Próximo quarto é feminino e tomara que seja mais confortável. É albergue de festa, que é o que mais estão fazendo agora. Deus no comando! Que eu não tenha que limpar privada com a escova de dentes de ninguém! Corrente de positividade.
Essa noite estou sozinha no quarto e esse talvez seja o melhor presente. Nem assombração vai me atormentar. O albergue é de festa mesmo. Tem umas três festas acontecendo simultaneamente, uma delas é karaokê. No geral, esse tipo de barulho não me incomoda. Saí pra comprar comida e água. Agora vou dormir. Que seja uma boa noite de sono.


Escrito em 21/6/24.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Um abraço de Morfeu

Último show do Liam pra mim. Agora só na próxima vida, provavelmente


Último dia inteiro em Glasgow foi de recuperação e preparação pro último show. Por mim, se desse pra vender, venderia, mas não dá então lá vamos nós. Nunca quis comprar tanto ingresso, tudo que queria era uma pista em Manchester e tava tudo resolvido. Agora os shows vão se acumulando. Até agora todos foram ótimos, mas duvido muito que algum supere o de ontem. Preferiria ficar com o de ontem como última lembrança.
Estou completamente sem voz e cansada porque as noites aqui têm sido muito desagradáveis. Amanhã sigo caminho pra próxima parada e espero que seja um pouco mais confortável. Tenho que ter paciência, mas não vejo a hora de chegar em Londres. Deveria ter planejado sair daqui direto pra lá. Agora não dá pra fazer nada porque não tenho acomodação em Londres, então é aguentar. Só julho mesmo.
É impressionante o cansaço de uma noite mal dormida. Pior ainda quando as noites vão se somando. Não aguentava esse ritmo nem quando era jovem. Agora fica doloroso.
Acho que em Londres vou conseguir me divertir mais porque vou conseguir dormir de verdade. Tomara. O Airbnb parece bom, devo ficar confortável. Então basicamente estou vivendo na expectativa de uma boa noite de sono.
Nós sabemos que nunca mais vou viajar (depois do Egito), mas caso eu viaje acho que 3 meses é o ideal. 5 meses só se ficar uma parte disso num lugar específico e fizer viagens curtas.
Uma época dessas bati papo com um antigo amigo que fez aquela volta ao mundo em um ano. Bem, esse era o plano. Deu oito meses e ele entrou em sofrimento. No nono voltou pra casa. Saber a hora de parar também é uma arte. No meu caso, só preciso descansar mesmo. São quatro noites sem dormir direito e eu sou um bebê.
Uma coisa que esse amigo também me falou é que quem viaja assim não é igual turista comum. Ver milhões de coisas nunca vai ser a prioridade de um viajante de longo tempo. As experiências contam muito mais que ficar visitando lugares e mais lugares. Não poderia concordar mais. Nunca mais vão me ver pagar 25 euros pra entrar em igreja fodida. Esse negócio de correria de viagem é coisa de turista e nunca me interessei por isso.

Mas vamos ao show 

Essa noite fiquei bem mais distante do palco. Não vejo bem os artistas, mas vejo o público e eles se divertiram muito. Show consistentemente bom. Já assisti três e todos redondinhos. Essa noite aconteceram alguns problemas técnicos, mas os artistas foram tão bons quanto em todas as outras noites.
Um negócio que achei muito interessante é que, no show de ontem, no final de Whatever, um grupo do público bem na frente do palco cantou um refrão de outra música que eu não reconheci. O Liam adorou. Riu e disse que ficou ótimo. Pois no show de hoje Dr Liam mesmo puxou o refrão e foi acompanhado pelo público. Acho que ele vai adotar pra todos daqui pra frente. Eu não reconheço o refrão e nem gravei pra analisar. Pra ser sincera, nem lembro se foi em whatever mesmo. Vai saber?
Amanhã acordo cedo e sigo pra próxima parada. Qual o padroeiro dos viajantes pra eu fazer uma reza pedindo pelo próximo albergue? Só rezando!

Escrito em 20/6/24.

21/6 é aniversário de muita gente, inclusive o Príncipe William. Além dele, minha amiga Tê, que trouxe The Killers de volta pra minha vida, e minha outra amiga cítrica Carol. Carol ressuscitou o blog algumas vezes. Toda vez que falei que ia parar de escrever, ela dizia que não aceitava e eu voltava a escrever. Uma vez ela disse que nosso professor de redação estaria orgulhoso de mim e isso pegou um pouco porque sei que não faço revisão do texto e cometo muitos erros de português, mas foi talvez o melhor elogio que já recebi. Na real, acho que tenho umas 5 pessoas que de fato lêem isso aqui e a Carol é uma delas. Não quero decepcionar meus cinco amigos e leitores fiéis. De qualquer forma, vou continuar sem revisar o texto. Obrigada, Carol, e feliz aniversário!

Escrito em 20/6/24.

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Que dia!

Definitly Maybe Tour 


Dormi muito mal de novo. Não vejo a hora de sair daqui. Acho que ontem foi mais minha culpa e acabei atrapalhando o pessoal. De qualquer forma, uma noite muito ruim. Depois que todo mundo saiu, consegui dormir mais. Já tinha decidido que só sairia do quarto mais tarde.
Primeiro, precisava achar uma bandeira do Brasil. Depois ia pra fila do show. Eu queria ficar o mais perto possível do palco com a bandeira pra ver se o Bonehead me reconhecia. Muito boba.
Na loja de esporte, tinha tudo menos coisas brasileiras. Tinha tudo da Argentina, por exemplo. Camiseta, bandeira, cachecol. Nada do Brasil. A gente já teve mais moral pelo mundo. Os caras ganham uma copa e tem um Messi e, pronto, já dominam o mundo.
Achei um boteco brasileiro que tinha várias bandeirinhas. Pedi e eles me deram. Achei uma vitória. Aproveitei pra comer por lá mesmo e segui pro show.
Quando cheguei já tinha gente formando fila, inclusive um brasileiro. E ele salvou minha noite. Graças a ele fiquei na frente do palco.
O show começou com o Villanelle, banda do filho do Liam. Eles são bem bons, mas precisam ganhar mais desenvoltura com o público. De qualquer forma, bom show.

São bons

Depois veio The View. Amei. Os caras são muito bons. Nunca tinha ouvido nada deles mas já vou querer ouvir. Divertido demais e muito espertos com o público.

Excelentes

No show de Manchester, a banda de abertura era o Cast, que é muito boa e mais tradicional, mas nem se compara em empolgação com essa The View. Eles se divertem no palco. Durante o show saiu um gol da Escócia pela a Eurocopa e parecia que o estádio viria abaixo.
E aí veio o Liam. Esse cara é muito amado. Deve ser estranho pra ele, mas é isso, o público dele o ama demais. Novamente, um show redondinho. Mais umas ofensas por causa de futebol (é parte do show e o público ama), já que ele achou de bom tom perturbar o público porque a Escócia só conseguiu empatar, e muita música boa.

Estou sem voz. Amanhã vou ter que ficar de boa. O certo seria até evitar falar. Uns dois dias calada deve ajudar. Se eu não conhecer mais ninguém pelo caminho nos próximos dias vai ser bom pra minha garganta.
No fim, um cara da produção me deu o setlist. Bem na minha mão. Eu já tinha ganhado o setlist do The View do brasileiro que me ajudou a pegar grade então agora tenho dois. Ele também recebeu um setlist. Ainda bem. Se ele não tivesse conseguido era capaz de eu dar o meu, mas eu queria tanto... Bem, cada um saiu com o seu.

Depois do show, que foi um negócio absolutamente fenomenal e que já estou começando a esquecer enquanto escrevo, fui pra estação pegar o trem. Tinha um sujeito tocando Oasis e ali virou o pós show pra um monte de gente.
Foi uma noite incrível. Foi tudo muito melhor do que eu poderia imaginar. Não acho que um dia irei num show tão perfeito, acho que nem se fosse o Oasis as coisas se alinhariam tão perfeitamente como foi essa noite. Alguns sonhos de criança não desaparecem e merecem ser vividos.

Escrito em 19/6/24.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

Reconhecendo territórios

Museu Kelvingrove

O albergue é realmente complicado. Nunca fiquei em lugar tão desconfortável. É a vida... Só algumas noites a mais.
Depois de uma noite horrível, fui dar uma volta meio sem rumo pela cidade. Acho que já estou me preparando pro retorno fazendo coisas que eu não costumo fazer tipo entrando em lojas de roupa pra 'dar uma olhada'. Não comprei nada porque ainda tenho mais 12 dias e mais duas paradas até Londres. Carregar mala tá cada dia mais difícil, mas tá acabando. Passei também pela arena onde será o show de amanhã, só pra fazer reconhecimento de terreno mesmo.

Na hora do almoço, tinha marcado de encontrar com uma guria que conheci em Liverpool. Ela é indiana/estadunidense e está viajando há dois meses pela Europa. Daqui vai pra Índia e Turquia antes de voltar pros EUA.
Nos encontramos no museu Kelvingrove, onde estava acontecendo um recital de órgão, e passamos o resto do dia conversando. Vimos algumas exposições do museu, mas não tinha nada tão interessante.

O que achei mais interessante nesse museu foi o teor explícito anti imperialismo britânico em várias áreas. Achei muito bom.
Depois fomos a um pub de cachorro que fica em frente ao museu assistimos Turquia x Georgia pela Eurocopa e batemos papo até umas 20h e seguimos nossos caminhos.
Acredito que não nos veremos mais nessa viagem. Quem sabe na próxima.

Escrito em 18/6/24.

terça-feira, 18 de junho de 2024

Glasgow


Cheguei em Glasgow! Na saída do trem, além de toda a banda do Liam, também encontrei o irmão do Liam, Paul Gallagher (o único não Oasis). Ele não foi muito simpático, mas tudo bem, todo mundo sabe que ele odeia fã dos irmãos. Achei que ele fosse mais alto, mas é bem baixinho. O Noel deve ser um tiquinho também.
Só o Liam não está aqui. Hoje é show do Foo Fighters. Tudo na cidade está lotado. Não tem vaga em albergue nenhum. Tudo cheio pra todos os lados. Falei que ia pesquisar as cidades antes de decidir os caminhos, mas fica pra próxima. Se bem que não tinha outra opção, já estou com ingresso desde o início do ano.
O albergue vai ser complicado. 24 camas pra uma privada. Nunca vi isso. Enfiaram mil camas, mas não fizeram o mínimo. Espero ficar relativamente confortável por aqui, mas não parece que será o caso. Veremos.
Gostei de Glasgow de cara. É tão estranho como é rápido o julgamento de se vai ser bom ou não. E daí pra frente é profecia auto realizante: se achei que seria bom de cara, vai ser ótimo; se não gostei, só milagre pra fazer ser bom. Pelo lado bom, na minha memória só ficam as coisas boas. Se me perguntar das coisas ruins dessa viagem, vou ter que parar um pouco pra pensar. Se perguntar das boas, começo a responder antes da pergunta terminar.
O albergue é bem central mesmo. Localização privilegiada. Excelente pra mim. Dia18 é meu único dia livre por aqui. Vou tentar ver o máximo possível. Dia 19 e 20 são dias de show e 21 vou embora. Ainda não sei pra onde. Tenho uma ideia, mas fico pensando se deveria ficar aqui por cima mais um pouco antes de descer pro Sul. Veremos.
Agora estou em Glasgow e só quero que seja legal.


Escrito em 17/6/24.

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Bonehead

Bonehead e eu


Tudo acontece como deve acontecer.
Hoje acordei cedo porque o proprietário da hospedagem não permitiu que eu fizesse o checkout 11h, ele insistiu que fosse 10h, então precisava arrumar tudo pra sair até 10h. Segui pra estação.
Na estação, sempre compro a passagem mais barata. Mesmo que demore mais e tenha conexões, sempre escolho a mais barata. Já tinha pedido, mas mudei de ideia e troquei pra mais rápida. Não sei o que me fez mudar, mas mudei.
Cheguei na plataforma. O trem já estava quase chegando. De última hora, mudei o vagão que ia entrar. No meio do caminho, retornei pro vagão inicial. Bem a tempo de ver o Bonehead (guitarrista original do Oasis e agora em tour com o Liam) entrando no trem. Outras pessoas estavam com ele e eu falei 'esse é o Bonehead? É o Bonehead?'. Bem, entrei no trem e dona minha irmã sugeriu que eu escrevesse um bilhete.
Escrevi e entreguei pra ele. Eu fui muito estranha porque não consegui falar direito, mas entreguei.
Estava sentada algumas poltronas atrás dele e a banda estava toda junto quando entreguei. Todos riram muito 'ah, os tempos antigos sem celular' e etc e ele falou 'na verdade é muito sweet' (não quero traduzir sweet como doce. Talvez fofo).
Escrevi que mandei o bilhete porque não queria ser inconveniente, mas se fosse possível gostaria de uma foto. No meio da viagem, ele veio na minha poltrona e tiramos a foto. Tentei falar tudo que não estava no bilhete, mas não consegui. Foi rápido, respondi as perguntas dele, na verdade.
Cá estou eu, depois do show de ontem viajando com a banda. Liam não está aqui. O esquema do Liam é parecido com o do Romário, ele não gosta de treino, só de jogo. A banda ensaia por semanas, ele chega nos últimos dias só pra acertar os detalhes e depois é tour. Na tour, ele não faz passagem de som nem nada. Ele chega pro show. É assim que funciona. Provavelmente Liam ficou em Manchester com a mãe ou voltou pra Londres (já vi foto com o cachorro, voltou pra Londres). Deve chegar em Glasgow no dia do show.
Engraçado que essa manhã eu estava me perguntando pra que comprei Glasgow se tinha tanto lugar mais legal. Uma foto com o Bonehead e pra mim já valeu a viagem. Aliás, ele foi ótimo. Um fofo. Muito gentil. E tá muito bem. Forte e saudável. Não sabia que ele também tinha olhos azuis, mas tem e são lindos. Azul brilhante. Vida longa a todo Oasis.

Escrito em 17/6/24.

Enquanto vivemos, os sonhos que tínhamos quando criança vão desaparecendo

Voltando pra 1994


Esporte, futebol principalmente, e música são talvez as expressões humanas mais coletivas que existem. É possível curtir individualmente, mas a força está no grupo. Por isso o público tem tanto poder em tornar o show bom ou ruim. É assim que situações como a do show do Weezer e Smashing Pumpkins acontecem. A banda fez tudo certo, mas o público não se envolveu.
Quando finalmente consegui comprar ingresso da DM tour, foi uma revenda. Sem escolha, era o que tinha. Sabia que ficaria longe e que veria muito pouco do Liam, mas fiquei feliz porque veria o público e a reação deles. Desde o começo queria em Manchester porque aqui é o lugar onde Liam é mais amado e a experiência do público contagiaria todos. Estava certíssima. O público fez o show.
Não que o Liam não tenha feito. Há anos não ouvia a voz dele tão boa e fácil. Parece que voltou pros 20 anos. Normalmente, quando ele não consegue segurar na garganta (ele força demais porque a característica dele é a voz arranhada), o normal é nasalar. Não fez isso nenhuma vez essa noite. Segurou na garganta o tempo todo. Ele disse que viveria como monge na preparação pra turnê. Deu certo. Foi realmente impressionante pra um cara de mais de 50 que passou tanto tempo abusando da voz.
Ele cantou todo o álbum definitly maybe, mais close all the doors e I Am the Walrus. O público dançou e cantou o show inteiro. Quase duas horas de diversão e nostalgia.
Não vi a última música. Estava preocupada se teria tempo hábil de pegar todos os transportes pra chegar na hospedagem. Em Glasgow, o albergue fica a meia hora andando do local do show. Posso ficar até a hora que quiser e ainda vou chega sem problemas. Vou ver o show todo lá.
Em Manchester, o que vai ficar mais marcado é o público e o carinho que eles têm pelo Liam. Quando o Oasis surgiu, não tinha ninguém como eles no mercado, eles eram pobres mesmo. Os jovens que cresceram aqui se identificam com eles e tem sido assim por três décadas.
Com o Oasis, além da música, o futebol sempre teve destaque e o público do Liam parece público de futebol. Eles têm aquelas músicas de torcida e tudo pro Liam. Foi como ver meu time preferido num estádio lotado.
Saí com o coração cheio.

Hoje é aniversário da Mari, minha amiga cítrica. Ela é o principal motivo desse blog existir. Por isso sou muito grata a ela. Terei um registro da viagem e isso não tem preço. Feliz aniversário, Mari. E muito obrigada por todo o apoio.


Escrito em 17/6/24.