domingo, 1 de setembro de 2024

Oasis voltou!

E eu vou!


Desde a separação do Oasis se fala na volta do Oasis. São dois irmãos. Impossível ficarem brigados pra sempre. Ficaram brigados por 15 anos. Eu lembro quando a banda acabou. Já não os acompanhava mais, mas foi notícia no mundo todo. Pensei: finalmente o Noel está livre. Lembro que durante a época que acompanhava o Oasis frequentemente pensava que era uma pena o Noel ser tão talentoso e ter que viver a sombra do irmão. Sim, o Noel era meu preferido. Talvez irmãos do meio se reconheçam.
Depois que voltei a acompanhar os Gallaghers, voltei em um monte de entrevistas e materiais desde o início da banda, a separação e pós separação. Tive uma visão bem diferente da que tinha antes. A banda só existiu e fez sucesso por causa do Liam. O Noel escrevia as músicas, mas se o Liam tivesse cantando a música da baratinha ele ainda seria o maior fenômeno dos anos 90. As músicas do Noel fazem diferença na vida do Noel e dos fãs, mas pra carreira do Liam não fazem a menor diferença.
O Noel estava feliz em carregar instrumentos pras outras bandas. Esse era o trabalho dele e esse era o auge que ele via pra si mesmo. As músicas dele jamais teriam saído do papel se não fosse o Liam. Quando o Noel viu o Liam num palco cantando tudo mudou. Noel viu o que qualquer um teria visto: o Liam era fascinante. Pela primeira vez, Noel vislumbrou um futuro diferente pra si. Liam pediu pro Noel entrar na banda e o resto é história.
Os relatos de jornalistas que cobriram o começo do Oasis sempre são mais ou menos assim: conversei com o Noel e foi legal, mas aí chegou o Liam e pensei 'se esse cara souber cantar, essa vai ser a maior banda de todos os tempos'. Esse era o efeito Liam e, não, ele não precisaria saber cantar. Tinha alguma coisa ali que qualquer um teria visto, independentemente da voz ou talento, é de outra ordem. Não pode ser treinado, nem aprendido. É um presente e também uma maldição. Toda a indústria artística procura por isso, mas pouca gente na história tinha: James Dean, Marilyn Monroe, Elvis Presley.
Bem, Liam tem.
Mas aí tem um problema: Liam é agressivo e impulsivo. Obviamente, foi ótimo pra vender a banda. Puro rocknroll anos 90. O uso frequente de drogas não ajudou. Quando entrou anos 00, dava pra ver que as pessoas tinham medo do Liam. Até hoje é um pouco assim, dá pra ver a tensão quando ele entra num ambiente. Parece que as pessoas estão lidando com um leão que pode atacar a qualquer momento. Na época, Noel estava exausto e boa parte dos fãs também. O Oasis não estava entregando álbuns excelentes, as polêmicas eram infinitas, a grosseria também (um adendo: Liam sempre foi agressivo, mas as grosserias eram do Noel e são até hoje), o vocalista era incontrolável... Perdeu o apelo pra mim e pra muita gente.
A relação entre irmãos era interessante, mas também exaustiva. Foi essa relação que manteve o Liam "pequeno". Se não fosse o Noel e a dinâmica entre eles, falaríamos do Liam como falamos do Elvis. Qualquer um da indústria da música daria os dois rins pra colocar a mão em alguém como o Liam, mas ali estavam os irmãos com as picuinhas de irmãos e isso era cansativo. Foi também essa relação que manteve o Liam vivo. Todos os que tem o que o Liam tem não viveram o suficiente e viraram lendas.
Vi uma entrevista da Xuxa dizendo que Marlene dizia que a Xuxa precisava morrer cedo. Vi também uma entrevista da Madonna e da Britney que falavam algo parecido. É assim que a indústria artística cria lendas: é fundamental que morram cedo. Noel manteve Liam vivo. Se Noel deve sua carreira ao Liam, Liam deve sua vida longa ao Noel. Liam se tornará idoso graças ao Noel.
Agora é engraçado que o Liam é um querido. Os artistas jovens o amam, os antigos dizem que é o melhor cara da música. Ele é amigão de metade do one direction, defende a Taylor Swift, apóia bandas novas e quando não gosta de algo só diz que não é o estilo dele. Há anos só fala mal de coisas relacionadas a futebol. O uso do twitter ajudou muito na imagem dele. As pessoas começaram a ver que o cara é basicamente um comediante, mas é necessário um curso pra entender o que ele escreve (e fala). Tem gente que ainda fala mal dele por coisas que o Noel faz. O Noel continua arrumando briga com metade da indústria fonográfica e o Liam leva a culpa. Tem coisa mais relação de irmãos que isso?
Eles são excelentes separados, mas juntos eles são mágicos. Se complementam perfeitamente.
Toda a comunidade de fãs do Oasis está esperando a primeira entrevista dos dois juntos. Todo mundo quer ver a dinâmica. Eu só penso na mãe desses dois e na felicidade que ela deve estar. Ela disse que recebia ligações diárias dos dois (o Liam chegava a ligar 5 vezes por dia) e a primeira pergunta era sempre sobre o outro.
O que eu espero é que eles estejam mais maduros pra essa nova fase e que sejam capazes de deixar as mágoas de lado. Os dois fizeram muito mal um pro outro. Os dois são muito talentosos. O Noel fala que quem faz a banda e o show é o público. Eu concordo. Os fãs estão empolgados! Que venha um puta show pros fãs! Eu estarei lá. (Mas depois dessa, prometo que ficarei uns 5 anos sem viajar).

Escrito em 1/9/24.

terça-feira, 30 de julho de 2024

Hora de partir

Pedi pra mulher do Airbnb me deixar ficar até mais tarde na casa e ela deixou. Então meu dia foi assim: acordei cedo e fui reorganizar as malas. A real é que estava tentando colocar uma melancia dentro de um ovo e não tem como, mas teve que dar. Obviamente, cacei problema pra mim.
Arrumei tudo como deu e segui pro aeroporto. Saí umas 14h. O vôo é só às 19h50. Bom que deu pra me desesperar com a calma e tranquilidade de quem tem tempo pra queimar.
Já no balcão da companhia, fui informada que não poderia levar mala de mão, que teria que despachar. Como tinha coisa de valor (talvez ainda tenha), tive que tirar tudo e colocar numa sacola, já que a mochila também estava cheia de coisas de valor. Na pesagem, uma das malas passou do peso, então tive que redistribuir a bagagem de novo. Finalmente o peso estava certo. O cara encrencou com a mochila + sacola alegando que eram dois itens pessoais. Sempre viajo assim e nunca tive problema, mas tive que mostrar que eles me forçaram a tirar os itens de valor por me forçarem a despachar a mala de mão e, por mais que quisesse, não tinha como enfiar no cy. Eu tava irritada, mas não falei nesses termos. Bem, autorizaram.
Aí chegou o momento da checagem de segurança. Meusa migos... Tenho a sensação que no dia que pisei nesse continente dessa vez me colocaram em alguma lista. Fui checada em TODOS os aeroportos. Lisboa, Itália, Irlanda e aqui. Todas as vezes que entrei e saí. Todas! E hoje só foi diferente porque foi pior.
Verificaram minha mochila. Depois vieram falar comigo. Perguntaram se eu tinha feito a mochila, se tinha deixado só, se estava levando algo pra alguém, etc. Respondi tudo, mas já estava ficando nervosa. Não importa o tanto que eu saiba que não tem nada de errado, vai que coloquei um tijolo? Aí ele perguntou se eu queria declarar algo mais antes dele chamar o chefe geral. Falei que não. Mas já estava meio triste que ia ser presa com o tijolo imaginário.
O cara verificou tudo na minha mochila. Tirou tudo. Verificaram minha câmera mil vezes. Acho que o problema foi a câmera e os skittles. Deve ter dado alguma interação no raio x que fez parecer que tinha comprimido. É a segunda vez que tenho problema carregando skittles (a primeira vez foi em 2008 voltando dos EUA). Acho que tá na hora de parar, ir pra rehab de doces mesmo.
Aí passaram aqueles lencinhos pra verificar presença de substâncias em mim e nas minhas coisas. Não tinha nada, claro, me deixaram ir.
O vôo pra Lisboa foi tranquilo. Atrasou porque tinha uma área de turbulência ou algo assim. Piloto entrou errado pro pouso, mas como o povo da aviação fala 'pouso bom é o que todo mundo sai andando' então foi um pouso excelente!
Passei a noite toda em Lisboa esperando a conexão pra Brasília, que só sai de manhã. Tô rezando pra não ter problema com as malas. Eu não tenho uma muda de roupa em casa, além de todas as coisas que comprei e são caras... Bem, mais tarde saberei se deu tudo certo. Agora só resta torcer.
E agora é hora de dizer adeus por aqui. Obrigada a todos que acompanharam. Foi divertido ter esse espaço. Não tenho mais twitter e nenhuma outra rede social, tinha que encontrar uma forma de comentar as coisas e aqui serviu perfeitamente. Talvez volte na viagem pro Egito (não sei se o live aboard tem wi-fi, se tiver é uma possibilidade), talvez mantenha escrevendo aqui quando achar que cabe. Não sei. Só sei que esse capítulo termina aqui e foi muito divertido. Até a próxima!

Escrito em 30/7/24.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Londres



Hoje foi meu último dia inteiro em Londres. Só saí pra fazer umas compras. Tô pensando como enfiar tudo nas malas. Vai ter que caber, mas não vai ser fácil. Amanhã vou reorganizar a bagagem pra ver o que posso fazer. Não estou levando lembrancinha pra ninguém. Não tenham esperança. Nem chaveiro. Nem minha caneca que eu queria.
Mas vamos pra Londres. Nessa viagem, vim a Londres em três momentos: 4 dias na chegada (antes de ir pra Inverness), 4 dias depois da Itália (antes de ir pra York) e esse mês inteiro.
Nas duas primeiras vezes, todos os meus posts foram muito positivos. Falei que tinha amado Londres e os londrinos. Quando falava isso pras pessoas que conheci pelo caminho, eles se surpreendiam. A maioria tinha uma história ruim daqui. Diziam que as pessoas eram grosserias, nervosas e apressadas.
Esse mês fui forçada a concordar com eles. Todo dia presenciei briga em transporte público ou mercado ou só na rua mesmo. Gente muito nervosa e irritada. Isso acabou mudando minha atitude por aqui. Depois da agressividade gratuita das mulheres no show do Robbie Williams, passei a ter medo das pessoas. Principalmente mulheres brancas. E, não, aqui não sou vista como mulher branca. Daí pra frente, foi só ladeira abaixo.
Vi homem adulto dando piti de bater os pés no chão e gritar igual criança de três anos porque o cara do metrô disse que ele não conseguiria entrar com a bicicleta. E ele não foi o único. Tô começando a achar que os românticos que critiquei no outro post com os desmaios desmedidos talvez estivessem retratando a realidade da histeria nas terras de cá.
Aqui eles gritam com a pessoa por qualquer motivo. O cartão não passou no ônibus: gritaria. Eles presumem má fé sempre. Pra mim, isso é muito assustador. Não tô acostumada com esse nível de agressividade.
Todas essas coisas fizeram minha atitude mudar. Se nas primeiras visitas eu tinha uma certa abertura pras pessoas, dessa vez mal fiz contato visual. Sabe por que? Vi uma briga enorme no metrô porque um cara encrencou que uma mulher estava olhando pra ele. Teve que ter segurança lá.
Não sei o que mudou da minha última visita pra essa, talvez eu tenha usado mais transporte e saído para lugares mais comuns. Não entendo o que houve, mas é outro clima totalmente. Quando cheguei, tomei o tombo na banheira e fiquei uns dias me recuperando, só andei pelo bairro. Fui ao supermercado uma vez e a mulher gritou comigo porque meu cartão de fidelidade não tem código de barras (não consigo baixar os apps porque Playstore não reconhece que estou aqui) e tem que digitar os números. Digitou, mas antes teve a sessão descarrego dela. Tenho esse problema do cartão desde fevereiro, passei por sei lá quantas cidades, inclusive Londres, e nunca tive problema quando pedia pro pessoal digitar. Nunca. Depois foram as mulheres do show. E todos os dias daí pra frente foram assim. Diretamente comigo acho que foram só essas duas vezes (supermercado e show). Teve um motorista de ônibus que ia começar a gritar comigo por causa do cartão, mas já peguei o dinheiro e ele não gritou. Mesmo não sendo comigo, todo dia tinha uma cena.
Quando voltei de Cardiff, teve cena no ônibus (duas vezes) e no supermercado. Nos dois deu polícia. Não sei como alguém consegue viver nessa tensão a vida toda. Ou não vivem. Às vezes já estão acostumados. Pra mim, foi um mês de tensão constante. Turista já faz merda normalmente (não estamos acostumados com a cultura etc) e tento evitar. Além do nervoso de não querer fazer merda, ainda tinha o medo de levar grito. Então foi isso... Foi um mês que fiz bastante coisa, mas me senti mais isolada do que nunca.
Agora entendo demais quem está com malas prontas pra sair daqui. Obviamente encontrei gente muito legal e prestativa, mas já estava feral. Não queria contato nenhum com humanos. Foi um mês mas difícil.
Por isso também não escrevi tanto. Além de ser cidade e só estar fazendo coisas de cidade, na maior parte, que não me interessam muito, não queria transmitir as bad vibes desses dias aqui. E agora chegou ao fim. Volto pra casa com mala cheia, o coração e a cabeça também. Agora vamos pra vida real que toda fuga é temporária.


Escrito em 28/7/24.

domingo, 28 de julho de 2024

Sete irmãs

Nem todas as irmãs


Tem vezes que queria que alguém me parasse quando eu dissesse que vou fazer uma caminhada. Já comentei que nunca mais vou subir vulcão, mas não tinha falado nada de falésias.
Bem, sexta passada uma moradora do Airbnb me falou que ia fazer essa caminhada. Basicamente, você pega o trem até Seaford e anda até Eastbourne. Achei interessantíssimo. Meu plano inicial era ir pra Brighton, mas meu interesse tinha desaparecido há um tempo. As sete irmãs se tornaram muito atrativas. Fui pesquisar. Aí tá lá no site 'nível de dificuldade: 9/10'. Eu posso culpar alguém? Avisada eu estava, mas sou uma eterna otimista e decidi que ia. Acho que o principal é que dava pra desistir mais ou menos em qualquer ponto porque existe uma linha de ônibus. Isso me deu segurança de tentar.
Acordei cedo e descobri que a TPM tinha virado M (meu ciclo tá curto demais). Decidi que ia assim mesmo. Quando a cólica começou a apertar, já estava no ônibus pra estação. O roteiro de transporte é: ônibus, trem, trem, caminhada/ônibus (caso eu não aguentasse), trem e ônibus. E aí casa.
Primeiro susto foi o preço da passagem. Absurdo. A menina tinha me passado um valor totalmente diferente e eu, na confiança, não pesquisei. Infelizmente, não é ela que vende. O segundo susto foi a quantidade de gente fazendo o mesmo trajeto. Tô falando de centenas de pessoas. No caminho, falei com uma senhora e ela disse que nunca tinha visto aquilo, que sempre faz essa viagem e normalmente é ela e mais um passageiro. Então realmente tô com sorte. Pra ser sincera, dessa vez não me incomodou a quantidade de gente porque pensei que, tendo necessidade, teria quem me socorresse. Melhor que sozinha no meio do nada. Sem contar que poderia seguir o fluxo sem me importar tanto com o mapa.
Lá fui eu. Primeiro que tinha colocado uma palmilha nova e comecei a sentir meus dedinhos arrastando. Tirei a palmilha antes de causar danos e o tênis ficou muito mais confortável. A administradora do Airbnb tinha me dito que o passeio era super tranquilo porque os altos e baixos não eram tão altos e baixos. Na primeira descida, que vi que teria que voltar pro nível do mar pra depois subir tudo de novo, quis arrastar a cara dela no asfalto. Não dá pra confiar em magro.
Nas orientações tava escrito que tem que cruzar um rio. Que se tivesse cheio era melhor dar a volta, mas se tivesse vazio dava pra cruzar tranquilo. Só não falava que era tudo pedra. Não consigo andar em pedra. Não queria voltar tudo pra rodear. Sobrou passar de tênis mesmo. Meu tênis novo é 100% a prova d'água e eu confirmo! Só entrou água quando afundei quase até o joelho. 100% a prova d'água só Jesus que não afunda.
Achei que tinha cometido um erro estratégico grave e  gastei uns minutos preocupada com isso, mas não foi. Apesar dos pés molhados, não tive nenhum problema por isso. Só vou precisar lavar, mas tem máquina.
São sete irmãs, então são sete subidas e sete descidas e eu virei crente em cada mudança de elevação. Subir é difícil e descer é perigoso, então a tensão é constante. Uma guria caiu. Toda vez que alguém se acidenta ou passa mal, dou graças a Deus quando é magra. Não é maldade minha, não, é maldade do povo. Gordo não pode passar mal. Quando estava na Áustria no curso do Brasília sem fronteiras, todo dia tinha que subir um morro longo e bem íngreme. Todo dia achava que ia morrer. Um dia uma guria passou mal e precisaram chamar a ambulância. Ela era magra. Depois disso fiquei tranquila em passar mal também (mesmo sabendo que iam continuar culpando a gordura), mas nunca aconteceu. No passinho do elefantinho sempre chego lá.
Voltando pras irmãs. Dessa vez, tomei café da manhã, carreguei água e levei lanche. Acho que tudo isso ajudou a ter uma experiência menos sofrida. Ainda assim, na metade do caminho comecei a me preocupar com desidratação. E aí nesse momento de preocupação, uma mulher passa por mim e pergunta se eu tô bem. Respondi que estava querendo morrer, mas estava ótima. E ela falou (vocês não vão acreditar!) 'boa sorte porque ainda falta um tantão pra você terminar'. Vocês acreditam nisso? Eu nunca vi uma pessoa fazer isso com alguém. Todo caminhante mente! É assim que a gente sobrevive. 'Não se preocupe, mulher, já tá quase terminando. Você consegue!'. Esse é o único comentário aceitável pra um estranho numa caminhada. Fiquei horrorizada com a incivilidade dessa gente. Bárbaros.
Agora além de cansada, eu estava puta, mas tão bonito o mar. Tão gostoso o cheiro. Tão confortável o sol suave. Tão lindos os cavalos (dessa vez usei mais a câmera então estou com poucas opções de fotos e nenhuma dos cavalos). E aí fui indo. Andava de frente e de costas pra aliviar os músculos, mas tomando cuidado pra não cair. Evitei parar também, exceto pra fotos. Parar é perigoso por vários motivos, inclusive pro coração, mas minha preocupação era mais a psicologia do negócio. Então fui e fui.

Subidas e descidas
Parte do rio que molhou meu pé 
O início. Ainda em Seaford.
Muito escondida do sol
Sempre tiro essa foto (mato amarelo, mar e céu)
Final em Eastbourne

Bem, eu fui e fui. Aí tem uma parada com cafés e vista em Birling Gap. Peguei mais água, sentei um pouco e precisei decidir. Ali já estava o final. Podia continuar andando. Ainda tinha uma hora de caminhada até Eastbourne. Ou podia pegar o ônibus. Acho que estava bem pra continuar, mas não chegaria bem em Eastbourne, então decidi pelo ônibus.
Não me arrependo. Fui pra um pub, pedi comida, assisti uns esportes das olimpíadas, segui pra estação pra pegar o trem e voltar pra Londres. O trem tava bem vazio dessa vez. Já tomei banho, já sequei os pés e coloquei tudo pra lavar.
Ia fazer outras coisas, mas deitei e não imagino mais nenhum cenário em que eu seja capaz de levantar. Acho que nem incêndio. Se tivesse uma fralda, estaria usando.
E é isso. Reclamo, mas no fim das contas é isso que eu gosto de verdade.

Escrito em 27/7/24.

sábado, 27 de julho de 2024

Encomendas

Foto de Oxford só pra ilustrar 


Finalmente todas as encomendas chegaram! Estou livre e recebi tudo o que comprei. Posso viajar tranquila. Uma das encomendas tinha prazo de entrega posterior a minha partida. Vivendo no limite, comprei. Deu certo. Chegou! Agora sou dona proprietária de uma máscara de mergulho com grau. Os peixes do mar vermelho que se preparem para serem vistos detalhadamente.
Tirando a máscara, as compras de encomenda foram bem caras. Por isso toda a minha atenção em estar aqui pra receber e verificar o objeto o mais rápido possível. Parece que tá tudo certo.
Eu sabia que ontem meu cansaço não era normal. Hoje descobri que não era espiritual também. Era hormonal. Ainda vou morrer de TPM (não vou, mas é foda). Não quero procurar médico porque sei que vão me passar remédio e não quero remédio. Sei que tem um nível de sofrimento, mas nem se compara com o que passava com a pílula e essa é a única solução que a medicina terá pra mim então segue o jogo. Fico aqui na torcida pela menopausa.

Meu cabelo já tá bem branco (diria que uns 3%- sim, tô fazendo estimativa de porcentagem de cabelo branco. Quando chegar em 70% pretendo pintar de arco-íris). Não sei o que houve, mas esses meses embranqueceram meus fios. Não pretendo pintar. Vou ficar bruxona tipo a Maria Betânia (até chegar a hora do arco-íris). Favor não perturbar também com o tamanho do cabelo. Pretendo cortar, mas provavelmente farei eu mesma em casa. Nunca achei um cabeleireiro que entendesse o meu cabelo e não sugerisse alisamento. Não vou alisar, não vou pintar.
Uma coisa que percebi nos últimos meses é que, apesar de responder às pessoas e contar a origem da viagem (que começa com uma crise de meia idade e uma tour do Liam Gallagher), não faz mais nenhum sentido pra mim falar em crise de meia idade. Passou. Talvez esteja cansada demais pra ficar pensando besteira. Talvez esteja satisfeita demais pra caçar problema. Talvez simplesmente não veja mais o tempo com os mesmos olhos. Veremos até quando dura esse sentimento.

Escrito em 25/7/24.

sexta-feira, 26 de julho de 2024

Oxford

Tentativa de foto artística


É, amigos, estou nas últimas. Talvez esse retorno nem me traga sofrimento, só alívio. Estou me arrastando. Teve uma hora que pensei seriamente em deitar no chão e esperar chamarem algum socorrista pra me carregar.
Mas vamos começar do começo. Como sempre, comecei o dia cedo. Não tão cedo porque comprei a passagem fora do horário de pico, então o embarque era a partir das 9h. Deu tempo de sair num horário mais ou menos razoável. A questão é que dormi mal e acordei muito cansada. Muito. Parecia um cansaço quase espiritual mesmo. Achei que os dementadores tinham me encontrado.
Fui me arrastando até o ponto de ônibus. Depois fui me arrastando até o trem. Depois me arrastei pra fora da estação e comecei a me arrastar por Oxford. Não tinha nenhum plano específico. Oxford é uma cidade bonitinha e tava na lista do que eu queria ver então fui.

A primeira parada foi a catedral de Cristo (Christ Church). Metade do Harry Potter foi filmado lá. A sala comunal e vários outros pontos são usados como locação pra os filmes. Não entrei. Não quis mesmo, mas acho que se quisesse não poderia (não comprei ingresso com antecedência e vi gente dizendo que não tinha ingresso pra entrar. Não sei se o problema era o horário, já que eles chegaram no final da tarde, ou por lotação. Se for por lotação, eu não poderia entrar mesmo), então que bom não querer.

A área toda é lindíssima, imagino que a catedral também é. De lá fui pra biblioteca e pra torre, que também não quis entrar. Acho que dei mole de não ter entrado na biblioteca. Sinto que teria gostado. O problema é que eu estava muito cansada e irritada. Não era um bom dia pra passeio, mas não tinha escolha. Tinha as passagens compradas e também era o dia que eu conseguiria sair considerando que passei muitos dias presa esperando encomenda chegar (meus dias em Londres tem sido de compras e espera por encomendas intercalados com voltinhas em parques). A cidade estava lotada e não eram turistas muito educados, o que aumentou minha irritação e vontade de me isolar.

Biblioteca de Bodleiana

De lá, fui pro centro comercial. Uma gracinha. Arrumei um lugar pra comer e fiquei vendo o movimento. Depois fui olhar as lojas e o mercado. Acabei comprando umas besterinhas pra mim. Uma coisa que eu queria desde antes de vir e ainda não comprei é uma caneca. Não é possível que não vou achar uma caneca decente.

No mapa, tinha um salgueiro como ponto turístico. Era perto da Christ Church, então voltei pra lá. Eu amo salgueiros então, aproveitando que o tempo tava bom, fui sentar a sombra da árvore.

Esse é o salgueiro famoso, mas tem outros
Esse é o meu preferido da área

Sentei aí um tempão. Aproveitei pra ler um pouco. Terminei a insustentável leveza do ser há umas semanas, mas ainda estou pensando nele, e agora tô nos irmãos Karamazov. A insustentável leveza do ser é um livro interessante principalmente nesse momento em que o peso (metafórico, mas talvez físico também) me força a me arrastar pelo mundo. Foi ótimo ter lido agora. Tô pegando o ritmo dos irmãos e já fui conquistada. Provavelmente vou começar Fogo e sangue, do George Martin, para ler concomitantemente. Gosto de ler dois livros ao mesmo tempo, um mais leve/divertido e um mais pesado, ajuda a evitar a fadiga e manter a leitura.
Bem, sentei e li. Já era umas 15h quando cheguei lá. Saí umas 16h. É impressionante como o tempo passa rápido. Já era hora de voltar pra Londres. Lá fui eu me arrastando pra estação. Depois pro ponto de ônibus. Depois pra casa.
Tomei um belo banho e estou esperando ser carregada por Morfeu em toda minha leveza.

Escrito em 24/7/24.

segunda-feira, 22 de julho de 2024

Viagens

(What's the story) morning glory?


O turismo vive uma crise nas terras de cá. A população está cansada de visitantes e está certa. Em vários posts eu comentei o tanto que estava incomodada com o modelo de turismo, que realmente não me serve. Fico imaginando o desespero que deve ser morar nesses lugares. Pânico.
Daria pra pensar que a população local ganha algo com turismo, mas não ganha. O turista compra pacotes baratos, não gasta tanto assim no local e se utiliza dos serviços. Pra população local só sobra preços inflacionados e sujeira. O dinheiro fica com as redes de hotéis e empresas aéreas. É um modelo de turismo muito predatório.
Selecionar turista também é complicado. Quer selecionar o turista que gasta mais? Eles também são os que consomem mais (no sentido de recursos naturais) e causam maior inflação e a conta continua não fechando, sempre em desfavor dos locais.

Como viajante, pretendo nunca mais sair de casa em alta temporada. Junho/julho, dezembro/janeiro/fevereiro, se me encontrarem num aeroporto, pode chamar a carrocinha. Só me liberem se eu tiver uma excelente desculpa.
Acho que nunca vou esquecer a sensação ruim que foi Florença e Paris (e não foi alta temporada), principalmente. Assis e Ravena foram dos lugares que mais gostei, mas o turismo descontrolado também marcou a experiência. No UK, não sinto que houve tanto problema pra mim. Os preços de hospedagem e transporte subiram muito, mas não houve nenhum momento que a multidão era tanta que incomodou. Só em Londres mesmo dessa vez agora. Mas essa visita vale um post separado.
Tô falando como alguém que gosta de viajar ao sabor do vento: acho que vão precisar regular melhor entrada e saída de gente se quiserem sobreviver. De minha parte, quando tiver condições de viajar de novo, pretendo voltar pro meu esquema de conhecer Brasil (apesar de achar o turismo no Brasil predatório e deprimente) e América Latina. Em três anos poderei fazer uma viagem longa de novo e provavelmente será pela Ásia.
Bem, viajar é muito bom. Pra mim também é uma fuga da realidade. Fugir da realidade às vezes é necessário. A última coisa que quero fazer quando fujo da realidade é ter que lidar com excesso de gente e barulho. Preciso de espaço pra contemplar.
Às vezes me pergunto porque o Brasília não recebe tanto turista e às vezes dou graças a Deus por isso!


Hoje é aniversário da minha tia Zaza. Ela também gosta de um pé na estrada. Muita saúde e dinheiro, que nunca falte forças pra andar, tia!

Escrito em 22/7/24.