terça-feira, 19 de março de 2024

Footy

Centro de Dublin


Hoje foi dia de pub. Fomos assistir City x Liverpool e deu empate. Vantagem pro Arsenal.
Foi bem legal. Poderia ter sido bem pior pro City, mas pra mim foi bem divertido. Queria ver num estádio, infelizmente é impossível. O mais barato tá na base de 300 libras. Melhor assistir de casa/pub mesmo. Não pagaria um valor desses em um jogo, mas um dia gostaria de ver.
Depois fomos comer um scran (é uma gíria de Manchester porque eu sou quase uma local).
Aqui em Dublin, se você vir criança sem adultos na rua, saia de perto. 90% é criminoso mirim. A primeira vez que estive aqui, jogaram um ovo em minha direção (não me acertaram). Hoje jogaram uma pedra no carro. Uns desocupados.
Hoje é aniversário de dona irmã. Meu irmão ligou. Foi bom pra desejar felicidades ao vivo. Felicidades, irmã. Vida longa e próspera pra você!

Escrito em 10/3/24.

segunda-feira, 18 de março de 2024

Um pouco de conforto

Pumpking esperando que eu durma.


Cheguei na casa da minha amiga ontem. Hoje fizemos compras do que eu preciso. E passamos o resto do dia fazendo nada. Foi escolha minha. Hoje foi um dia mais frio, nublado e chuvoso. Eu queria ficar mais quieta. Então foi perfeito. Amanhã provavelmente iremos ao pub assistir City x Liverpool. Antes disso pretendo me organizar pro resto da viagem. Meu principal problema é que tenho um show (Liam Gallagher e John Squire) dia 16/3 e outro (Olivia Rodrigo) dia 30/4. Não estou confortável com a ideia de ficar aqui direto por tanto tempo, mesmo tendo três gatinhos pra brincar. É tempo demais pra ficar na casa de alguém. A primavera está chegando. Talvez seja um bom momento pra sair por aí pela Irlanda.
Escrito em 9/3/24.

domingo, 17 de março de 2024

Arco-íris que não vi

Eu amo essas florzinhas


Sexta feira, dia oito de março de 2024.
Acordei e fui mexer no celular. Primeira notícia que aparece pra mim é que aurora rara (Roxa. Era uma aurora roxa!!!!) foi vista em todo o Reino Unido. Quando? Domingo. No dia que eu estava no meio do Lago Ness tentando ver a aurora. Como eu me sinto? Nem quero pensar. No domingo, eu estava falando com minha mãe e irmã enquanto estava no lago e falei que achava que estava vendo (tem uma parte da aurora que é mais visível por câmera e não a olho nu. Ainda vou ver a câmera). A questão é que não estava afastada o suficiente da cidade porque não tinha carro pra me levar. Deveria ter pagado um táxi ou sei lá. É isso. Próxima vez vou pra Islândia e fico uns dois meses por lá. Duvido que não veja.
Talvez não fosse pra ser. Essa viagem risca um monte de coisas da minha lista de coisas pra fazer antes de morrer. Talvez algo tinha que ficar pra depois.
Hoje é dia de mudança. Juntei minhas coisas e segui viagem pra Dublin. Finalizo o texto deitada numa cama quentinha na casa da minha amiga. O gato dela tá esperando que eu durma pra vir deitar comigo. Terceira etapa da viagem!


Escrito em 8/3/24

sábado, 16 de março de 2024

Ângulos e perspectivas

Universidade de Edinburgo 


Fui ao castelo. Edinburgo é realmente linda. Pensa aí comigo, essa cidade tem mais de mil anos. Isso explodiu minha cabeça. Brasília tem 64 anos. Não atingiu nem a perspectiva de vida de um brasileiro. É surreal pensar que uma cidade viu tanto. Brasília viverá mil anos? Eu tenho sido muito fatalista com o futuro da humanidade, me parece completamente fora de propósito pensar em mil anos. Aquelas pessoas pensavam em mil anos? Quanto a gente constrói de fato vai perdurar? No fim das contas, nada resta de ninguém, só o legado dos reis.
Fiquei muito pensativa. Essas coisas que me colocam em perspectiva sempre me fazem parar um pouco. Sou muito autocentrada. Não sei se é culpa minha. Não sei se há culpa nisso. Acho que humanos não foram feitos pra pensar em tempos muito longos, menos ainda infinitos. Acho que consigo pensar em até 6 gerações (considerando geração o período de 30 anos) sem pirar. Meus bisavós, avós, pais, irmãos, sobrinhas e sobrinhos netos. Daí pra frente ou pra trás, já vira ficção. Daí pra frente o eu já não existe mais.
Depois que todos que nos viram se forem não resta nada. Todos aqueles problemas importantíssimos de trabalho burocrático não significam nada. Talvez seu trabalho importantíssimo nem seja mais necessário em 100 anos. Não que não seja um problema real hoje, afinal só se vive o presente, mas eu gosto de perspectiva. A gente vai acabar e o que vai ficar?
Lembro da minha chefe em um estágio. Eu queria um intercâmbio. Ela dizia pra ir, que em 5 anos aquele um ano não significaria nada no esquema das coisas, só memórias. Acho que ela estava certa. Obviamente que tudo muda a gente. Se não fosse aquele ano, como seria minha vida hoje? Não sei. São muitas portas não abertas no corredor da vida. Isso sempre me incomodou. Não lembro onde escrevi isso mas era algo como 'andando devagar que é pra dar tempo de pegar o retorno'. Acho que sempre vivi a vida querendo ver todas as opções antes de escolher. Não há retorno, só sucessão de escolhas. Não importa se andou rápido ou devagar. Essa é a vida. Não vai durar 1000 anos.
Terminei a noite conversando com jovens enquanto comiamos pizza. Por algum motivo o albergue tem pizza de graças quinta a noite. Eles falavam dos seus planos e dificuldades. Eles estão bem perdidos. Acho que a sociedade os sacaneou mais que sacaneou minha geração. Não tá ficando mais fácil. Eu espero que a gente encontre o caminho certo e ainda tenha mil anos pela frente.
Escrito em 7/3/24.

sexta-feira, 15 de março de 2024

All work and no play makes Jack a dull boy

Isaias 43:2


Dormi muito mal porque escolhi um albergue de jovem. Foda que eu sabia que era albergue de jovem. Falei que não ficaria porque é albergue de jovem, mas era tão barato e tão bem localizado... Bem, as jovens passaram muitas horas da madrugada conversando bem alto. Ainda acordaram cedão atrasadas pra viajar e fizeram muito barulho. Eu me culpo por essa decisão.
Ontem no final do dia recebi e-mail da empresa de aluguel de carro. Eles queriam me ligar hoje. Decidi ficar esperando a ligação. É importante demais resolver isso.
Das boas novas, todo o dinheiro da caução do aluguel do carro foi devolvido e vão me reembolsar pelas despesas que tive com o carro (pneu e transporte pra Inverness). Não pedi as diárias que não usei. Fica pela gasolina que usei e não repus.
Não compensa o tempo perdido, não compensa o que não vi, não compensa meu estresse e tristeza por não ter visto o que queria, mas pelo menos não me causa danos maiores. Financeiramente, fica elas por elas e isso é uma vitória. Poderia ser pior.
Vou tentar ver o castelo amanhã. Sexta já é dia de mudar de cidade de novo, então só tenho amanhã.

Escrito em 7/3/24

quinta-feira, 14 de março de 2024

Another will, another way

Inverness


Ainda com todos os problemas do carro, saio de Inverness. Sem ver aurora, sem ver Nessie. Deixando pra trás uma cidade lindíssima que eu não consegui aproveitar como gostaria.
Escolhi o trem mais barato: Inverness-Aberdeen, Aberdeen-Edinburgo. Quase metade do preço do trem direto.

Edinburgo e a estação de trem

Cheguei no final da tarde. Só dei uma voltinha pra tentar achar comida. Queria comida mesmo. A última vez que comi direito foi o macarrão com tofu em Camden. Dessa vez escolhi arroz com tofu. Era grande demais. Fiquei muito cheia e fui dormir.
A voltinha deu pra ver o tom da cidade. É uma cidade de festa. Muita gente, muita coisa pra fazer. Vida noturna agitada. E uma cidade absolutamente maravilhosa. Acho que estou apaixonada pela Escócia toda.
No trem, vim batendo papo com uma senhora. Os escoceses são muito orgulhosos de seu país, sem nacionalismo vazio e essa breguice patriota que a gente vê em alguns países, eles são orgulhosos de sua comunidade e origem, por isso sabem identificar quem são os inimigos de verdade. Bebem muito e fumam demais, mas parecem felizes no geral. São muito gentis e prestativos, mas sarcasmo e ironia são a base da comunicação.
Estou sentindo como se só estivesse passando por lugares. Sexta começo a terceira etapa da viagem (separei em etapas: chegada, Highlands, Irlanda, shows) e quero começar a ficar. Nunca vou pertencer, mas quero estar em um lugar por tempo suficiente. As movimentações constantes atrapalham a vivência e eu quero a vivência. Ainda tenho mais de 140 dias pela frente. Recalculando rota.

Escrito em 5/3/24

quarta-feira, 13 de março de 2024

Um dia sem fim

Em busca da aurora que nunca veio


Em Inverness. Segunda feira. Dia de buscar informações sobre o carro e todas as questões relacionadas a ele.
Foi um dia lindíssimo. Sol, sem chuva e temperatura agradável. Só andei pela cidade e resolvi burocracia.
Ontem tive esperança de ver aurora. Saí de noite pro meio do Lago Ness, mas não vi nem aurora nem a Nessie. Foi frustrante, mas às vezes temos que admitir derrota. A aurora ficará pra outro lugar ou outra vida. A Nessie, tenho certeza, verei.

Escrito em 4/3/24.