sábado, 14 de setembro de 2024

Luxor


12/9. Após uma noite de sono de exatamente 4h, acordamos pro primeiro passeio: nascer do sol de um balão. Era pra estar pronta 4h45 na portaria do hotel. Cedo demais. Chegamos lá primeiro que todo mundo e nosso balão não foi o primeiro a subir... Daria facilmente pra ter saído pelo menos uma hora mais tarde. Tinha o risco do excesso de vento cancelar o passeio. Se isso acontecesse, teríamos que acordar cedo no dia seguinte também, então graças a Deus o tempo foi bom e a gente subiu.

Rá dando o ar da graça
Templo funerário de Hatshepsut ao fundo 

Tô mal... Acordei toda coisada. Nariz entupido demais e ouvido tampado. Acho que não perfurei meus tímpanos, mas bom bom não tá.
Depois do passeio do balão, voltamos pro hotel pra tomar café da manhã. Depois do café, saímos pro passeio seguinte: Templo de Karnak.


O clima aqui tá cruel, mas ouvi falar que Brasília não está muito diferente. Só sei que foi sofrido demais. Exaustivo. Não tá ajudando nada minha situação. Não consigo respirar pelo nariz, respiro pela boca. Esse ar quente e seco está irritando minha garganta. Então comecei o dia com um problema (nariz) e terminei com dois (nariz e garganta). Pra piorar muito, também a TPM virou M e eu tô realmente achando que chutei uma esfinge em uma outra vida e estou sendo castigada agora. O Egito me odeia, mas eu amo o Egito. Mais um relacionamento tóxico na minha vida.
Depois de Karnak, voltamos pro hotel pra descansar. Aqui a vida é igual minha vida no Brasil: as pessoas evitam sair a tarde. Então de 13h às 16h, é meio que hora morta. Saímos pro templo de Luxor às 18h.

A ideia era entrar nele ainda de dia e sair já de noite, com tudo iluminado. Horário perfeito.
De lá, voltamos pro hotel. Eu vim dormir. O grupo foi curtir a noite. Só quero me recuperar logo. Minha situação está bem desconfortável, mas não tem nada que eu possa fazer além de descansar.

Escrito em 12/9/24.

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Mergulhando pra respirar

Mar azul e corais


Dia 9/9. Acho que eu amo mergulhar. Talvez seja a melhor atividade do mundo. Talvez meus problemas iniciais tenham sido falta de experiência mesmo. Agora o equipamento tá redondinho, meu perfil de consumo de ar mudou completamente. Tô voltando pro barco com meio tanque ainda cheio, o que é um desperdício já que poderia ficar pelo menos mais meia hora dentro d'água. Fico atenta ao guia e ao grupo, mas comecei a me posicionar mais externamente. Vou curtindo meu mergulho na paz, sem trombar com ninguém. Esvaziando a mente igual um peixinho. Ar enriquecido pra dentro, bolhinhas pra fora. Uma paz.
Hoje fizemos três mergulhos. Dois de manhã, um de tarde. Nada de noturno. Cada dia aqui parece três. A gente tem bastante tempo pra fazer nada, mas são muitas atividades: acorda, prepara, mergulho, volta, arruma equipamento, come, descansa, prepara mergulho e esse ritmo até de noite. Normalmente jantamos 22h e eu já vou dormir porque o dia seguinte começa 6h30. Hoje não tem noturno porque vamos navegar até uma ilha. Precisamos chegar lá amanhã de manhã pro primeiro mergulho. Pessoal da tripulação trabalha demais. É meio cruel, mas eles disseram que ficam felizes por ter trabalho, o que também é meio triste. Eles fazem a viagem ser muito mais fácil.
Ainda temos mais de semana pela frente, mas o mergulho termina em dois dias. Talvez eu até sinta falta.
10/9. Dia de três mergulhos também. Acordei meio gripada. Tá todo mundo meio doente e eu não escapei. Problema é que o ouvido precisa equalizar na descida e subida. Se tiver congestionado, não vai dar. Fiz todos os mergulhos com problema de equalização. Espero não ter causado danos aos tímpanos. Já sou semi surda, não preciso ficar surda mesmo. Tirando a parte da equalização, todos os mergulhos foram tranquilos. Hoje era o dia do tubarão, mas só vimos três. Não quiseram aparecer pra gente. No primeiro mergulho, na hora que caí na água, já tava o tubarão lá me esperando. Depois vimos mais dois. Um deles estava atrás de mim mas meio distante, virei de frente pra ele e pensei 'vem, tubarão. vem, tubarão. vem, tubarão.' e ele veio. Quando ele tava chegando perto, pedi pra ele não vir mais e ele foi embora. Agora já acho que sou capaz de conversar com animais marinhos.
Hoje é a última noite no barco. Sinto que os gringos estão aliviados que vamos embora. Eles vivem torcendo o nariz, mas realmente brasileiro é muito barulhento. Amanhã temos dois mergulhos, vou considerar se vou ou não. Não quero forçar mais que o necessário, mas são os dois últimos.

11/9. Último dia. Dois mergulhos. Acordei muito mal. Decidi não mergulhar. Acho até que conseguiria equalizar, mas forçaria a toa. Não acho que seria em meu benefício fazer algo assim. Também era dia de naufrágio e é difícil demorar pra equalizar nesses casos. Se é área aberta, sem problema, o povo desce e eu fico em cima o tempo que precisar, mas se tem que entrar num naufrágio fica difícil demorar pra descer.
Fiquei feliz por ter chegado num ponto ideal do mergulho. Curti mesmo. A máscara com grau mudou tudo. Também cheguei na quantidade de lastro ideal. Se comecei querendo desistir de mergulho, já quero saber quando será a próxima. Mas é isso, dois mergulhos perdidos por questão de saúde. Não me arrependo, era necessário.
15h chegamos no porto. Pegamos o ônibus pra Luxor. Quase 5h de estrada. Quem mergulha precisa de um tempo antes de voar, como não teríamos esse tempo, melhor resolver com ônibus mesmo.

Agora é deserto.

quarta-feira, 11 de setembro de 2024

41 anos

Corais

Dia 8/9. Meu aniversário. O dia começou cedo. 6h30 foi o chamado pro primeiro mergulho. Mais uma vez um mergulho ruim. Tô começando a achar que não gosto de mergulho. Gosto muito na teoria, na prática são outros quinhentos. Não acho que seja só uma questão de experiência, acho que é de personalidade. Mergulho exige calma e eu não sou calma. Outro problema é que mergulho é uma atividade em grupo e nunca me dei bem em grupos. Acho que também gosto de pessoas na teoria, na prática são outros quinhentos. Nunca sei onde me colocar, qual posição ocupar, como me organizar no meio de tanta gente. Mergulho exige preocupação constante com diversos fatores e, ao mesmo tempo, tranquilidade. Eu não sei me desesperar com calma.
No mergulho de ontem, o instrutor (temos três do barco e dois de Brasília) sugeriu que eu diminuísse o lastro (peso que ajuda a afundar). Comecei com 10kg, baixei pra 8 e depois pra 6. Seis foi muito pouco, então tive que lutar pra ficar afundada e entrou água na máscara o mergulho todo. Uma hora de água salgada nos olhos. E lutando pra afundar. Foi delícia. O mergulho foi num naufrágio britânico da segunda guerra, tirando o nervoso, teria sido muito legal, mas foi uma merda e eu fiquei puta. Então primeiro mergulho extremamente frustrante, mas acabou rápido pelo menos porque consumi todo o meu ar lutando pra ficar afundada.
Segundo mergulho tudo se ajustou. Voltei pros 8kg e a máscara colaborou. Mergulho misto meio coral meio naufrágio. Negócio lindo. Lindo! Chamaram de mergulho Disney e foi isso mesmo. Se a Ariel aparecesse segurando umas colheres eu nem me surpreenderia. Foi lindo. Já vi Belize, já vi Galápagos, já vi Abrolhos e nunca vi formação de corais como esse. Lindo!
O terceiro mergulho foi o mais tranquilo. Praticamente uma piscina. Meio coral, meio naufrágio, raso. Não tão rico quanto o anterior, mas lindo também. Eu já sabia quais eram as condições, tinha acertado meu equipamento, então decidi levar a câmera. Foi sucesso. Fiquei feliz demais. Desde quando decidi mergulhar, o plano era fotografar e pela primeira vez aconteceu. Com certeza não tenho as melhores fotos do mundo, mas estou muito satisfeita com o que consegui.

Levaram a gente pra uma ilha pro lanche da tarde e vimos o pôr do sol. Uma cena onírica. Lembrou um pouco Contato , quando a Jodie Foster tá na ilha vendo o mar azul. Uma coisa de outro mundo mesmo.
O mergulho noturno foi no mesmo local, mas não levei a câmera porque seria demais controlar todas as variáveis. Foi um mergulho tranquilo. Mergulho de aquário.
Se vocês querem saber como foi meu aniversário, começou mal, terminou lindo. Que os 41 sejam tão divertidos quanto os 40. Vamo que vamo.


Escrito em 8/9/24.

Egito

Centro antigo 

Achei que não ia escrever essa viagem, mas a pedido dos fãs (minha mãe) vamos lá.
Dia 2/9 16h saí de casa em direção ao aeroporto de Brasília. Cheguei em Guarulhos umas 20h. O vôo em direção à Dubai saiu 1h da manhã do dia 3/9. 15h de vôo. Nem sabia que avião tinha tanta autonomia. Por incrível que pareça, foi um vôo confortável ou menos desconfortável. De Lisboa pra Brasília chegou um momento (eu sei que é errado) que pensei que se o avião caísse pelo menos o meu sofrimento acabava. Foi um vôo horrível. Esse foi tranquilo. Não pensei na morte com esperança em nenhum momento. Fiquei no corredor então levantei várias vezes. Não dormi bem, mas pelo menos não fiquei dolorida. Chegamos em Dubai quase dia 4, hora local. Direto pro hotel. Quarto individual, cortesia da companhia aérea.
Não estou sozinha nessa viagem. Estou com o grupo de mergulho. Já fui com eles pra Bonaire e agora estou no Egito. Eles tinham vários planos pro dia em Dubai. Eu tinha um só: dormir.

Tudo o que vi de Dubai: aeroporto.

Pesquisei tudo e não encontrei uma atividade que me interessasse. Nada. Funcionou muito bem pra mim. Umas 19h do dia 4/9 fomos pro aeroporto em direção ao Cairo. Chegamos no hotel nas primeiras horas do dia 5. 8h fomos pra um passeio pelo centro antigo. Visitamos vários templos. Uma igreja onde Moisés foi achado e outra onde a sagrada família se escondeu, uma mesquita, uma sinagoga. Uma delas diz que guarda os restos mortais de São Jorge. Achei tudo muito bom. Adorei.

No fim da tarde, seguimos pro aeroporto mais uma vez. Olha... Em direção a Hurghada. Passei mal no avião. Piloto fez umas curvas e eu não fiquei de boa. Não gosto de teco teco também.

Mas chegamos. Seguimos direto pro porto pro embarque. Na primeira noite, pessoal saiu pra ver a cidade e fiquei no barco. Estava cansada demais. Tomei uns remédios pra ajudar com o mal estar do barco e fui dormir.

Dia 6/9, começamos a navegar pelo mar vermelho. Fizemos três mergulhos. O primeiro é sempre um teste pra ver o nível dos mergulhadores e acertar equipamento, mergulhamos num coral, baixa profundidade, bem bonito. O segundo deveria ser naufrágio, mas as condições do mar não estavam boas, fomos para outro local chamado sete piscinas, ao lado de Sinai. Bem raso também, 20m no máximo. O terceiro, noturno, também foi nesse local.

Porto Hurghada 

Sinai

Hoje é dia 7/9. O dia começou cedo, 6h, com mergulho em corais. Segundo mergulho em naufrágio, mais fundo, chegamos em 30m. E terceiro mergulho em outro naufrágio. Não deu certo pra mim. Perdi o lastro (o peso que ajuda a afundar) e o mergulho acabou antes de começar. Ainda bem que percebi que teria problema e saí logo. Foi um mergulho mais difícil em condições perfeitas, nas minhas condições seria perigoso.
Não fui pro noturno. Um colega do grupo achou meu lastro e resolveu que pelo menos não pagarei multa.
A internet aqui é inconstante, mas quando puder dar notícias, darei.

Escrito em 7/9/24.



domingo, 1 de setembro de 2024

Oasis voltou!

E eu vou!


Desde a separação do Oasis se fala na volta do Oasis. São dois irmãos. Impossível ficarem brigados pra sempre. Ficaram brigados por 15 anos. Eu lembro quando a banda acabou. Já não os acompanhava mais, mas foi notícia no mundo todo. Pensei: finalmente o Noel está livre. Lembro que durante a época que acompanhava o Oasis frequentemente pensava que era uma pena o Noel ser tão talentoso e ter que viver a sombra do irmão. Sim, o Noel era meu preferido. Talvez irmãos do meio se reconheçam.
Depois que voltei a acompanhar os Gallaghers, voltei em um monte de entrevistas e materiais desde o início da banda, a separação e pós separação. Tive uma visão bem diferente da que tinha antes. A banda só existiu e fez sucesso por causa do Liam. O Noel escrevia as músicas, mas se o Liam tivesse cantando a música da baratinha ele ainda seria o maior fenômeno dos anos 90. As músicas do Noel fazem diferença na vida do Noel e dos fãs, mas pra carreira do Liam não fazem a menor diferença.
O Noel estava feliz em carregar instrumentos pras outras bandas. Esse era o trabalho dele e esse era o auge que ele via pra si mesmo. As músicas dele jamais teriam saído do papel se não fosse o Liam. Quando o Noel viu o Liam num palco cantando tudo mudou. Noel viu o que qualquer um teria visto: o Liam era fascinante. Pela primeira vez, Noel vislumbrou um futuro diferente pra si. Liam pediu pro Noel entrar na banda e o resto é história.
Os relatos de jornalistas que cobriram o começo do Oasis sempre são mais ou menos assim: conversei com o Noel e foi legal, mas aí chegou o Liam e pensei 'se esse cara souber cantar, essa vai ser a maior banda de todos os tempos'. Esse era o efeito Liam e, não, ele não precisaria saber cantar. Tinha alguma coisa ali que qualquer um teria visto, independentemente da voz ou talento, é de outra ordem. Não pode ser treinado, nem aprendido. É um presente e também uma maldição. Toda a indústria artística procura por isso, mas pouca gente na história tinha: James Dean, Marilyn Monroe, Elvis Presley.
Bem, Liam tem.
Mas aí tem um problema: Liam é agressivo e impulsivo. Obviamente, foi ótimo pra vender a banda. Puro rocknroll anos 90. O uso frequente de drogas não ajudou. Quando entrou anos 00, dava pra ver que as pessoas tinham medo do Liam. Até hoje é um pouco assim, dá pra ver a tensão quando ele entra num ambiente. Parece que as pessoas estão lidando com um leão que pode atacar a qualquer momento. Na época, Noel estava exausto e boa parte dos fãs também. O Oasis não estava entregando álbuns excelentes, as polêmicas eram infinitas, a grosseria também (um adendo: Liam sempre foi agressivo, mas as grosserias eram do Noel e são até hoje), o vocalista era incontrolável... Perdeu o apelo pra mim e pra muita gente.
A relação entre irmãos era interessante, mas também exaustiva. Foi essa relação que manteve o Liam "pequeno". Se não fosse o Noel e a dinâmica entre eles, falaríamos do Liam como falamos do Elvis. Qualquer um da indústria da música daria os dois rins pra colocar a mão em alguém como o Liam, mas ali estavam os irmãos com as picuinhas de irmãos e isso era cansativo. Foi também essa relação que manteve o Liam vivo. Todos os que tem o que o Liam tem não viveram o suficiente e viraram lendas.
Vi uma entrevista da Xuxa dizendo que Marlene dizia que a Xuxa precisava morrer cedo. Vi também uma entrevista da Madonna e da Britney que falavam algo parecido. É assim que a indústria artística cria lendas: é fundamental que morram cedo. Noel manteve Liam vivo. Se Noel deve sua carreira ao Liam, Liam deve sua vida longa ao Noel. Liam se tornará idoso graças ao Noel.
Agora é engraçado que o Liam é um querido. Os artistas jovens o amam, os antigos dizem que é o melhor cara da música. Ele é amigão de metade do one direction, defende a Taylor Swift, apóia bandas novas e quando não gosta de algo só diz que não é o estilo dele. Há anos só fala mal de coisas relacionadas a futebol. O uso do twitter ajudou muito na imagem dele. As pessoas começaram a ver que o cara é basicamente um comediante, mas é necessário um curso pra entender o que ele escreve (e fala). Tem gente que ainda fala mal dele por coisas que o Noel faz. O Noel continua arrumando briga com metade da indústria fonográfica e o Liam leva a culpa. Tem coisa mais relação de irmãos que isso?
Eles são excelentes separados, mas juntos eles são mágicos. Se complementam perfeitamente.
Toda a comunidade de fãs do Oasis está esperando a primeira entrevista dos dois juntos. Todo mundo quer ver a dinâmica. Eu só penso na mãe desses dois e na felicidade que ela deve estar. Ela disse que recebia ligações diárias dos dois (o Liam chegava a ligar 5 vezes por dia) e a primeira pergunta era sempre sobre o outro.
O que eu espero é que eles estejam mais maduros pra essa nova fase e que sejam capazes de deixar as mágoas de lado. Os dois fizeram muito mal um pro outro. Os dois são muito talentosos. O Noel fala que quem faz a banda e o show é o público. Eu concordo. Os fãs estão empolgados! Que venha um puta show pros fãs! Eu estarei lá. (Mas depois dessa, prometo que ficarei uns 5 anos sem viajar).

Escrito em 1/9/24.

terça-feira, 30 de julho de 2024

Hora de partir

Pedi pra mulher do Airbnb me deixar ficar até mais tarde na casa e ela deixou. Então meu dia foi assim: acordei cedo e fui reorganizar as malas. A real é que estava tentando colocar uma melancia dentro de um ovo e não tem como, mas teve que dar. Obviamente, cacei problema pra mim.
Arrumei tudo como deu e segui pro aeroporto. Saí umas 14h. O vôo é só às 19h50. Bom que deu pra me desesperar com a calma e tranquilidade de quem tem tempo pra queimar.
Já no balcão da companhia, fui informada que não poderia levar mala de mão, que teria que despachar. Como tinha coisa de valor (talvez ainda tenha), tive que tirar tudo e colocar numa sacola, já que a mochila também estava cheia de coisas de valor. Na pesagem, uma das malas passou do peso, então tive que redistribuir a bagagem de novo. Finalmente o peso estava certo. O cara encrencou com a mochila + sacola alegando que eram dois itens pessoais. Sempre viajo assim e nunca tive problema, mas tive que mostrar que eles me forçaram a tirar os itens de valor por me forçarem a despachar a mala de mão e, por mais que quisesse, não tinha como enfiar no cy. Eu tava irritada, mas não falei nesses termos. Bem, autorizaram.
Aí chegou o momento da checagem de segurança. Meusa migos... Tenho a sensação que no dia que pisei nesse continente dessa vez me colocaram em alguma lista. Fui checada em TODOS os aeroportos. Lisboa, Itália, Irlanda e aqui. Todas as vezes que entrei e saí. Todas! E hoje só foi diferente porque foi pior.
Verificaram minha mochila. Depois vieram falar comigo. Perguntaram se eu tinha feito a mochila, se tinha deixado só, se estava levando algo pra alguém, etc. Respondi tudo, mas já estava ficando nervosa. Não importa o tanto que eu saiba que não tem nada de errado, vai que coloquei um tijolo? Aí ele perguntou se eu queria declarar algo mais antes dele chamar o chefe geral. Falei que não. Mas já estava meio triste que ia ser presa com o tijolo imaginário.
O cara verificou tudo na minha mochila. Tirou tudo. Verificaram minha câmera mil vezes. Acho que o problema foi a câmera e os skittles. Deve ter dado alguma interação no raio x que fez parecer que tinha comprimido. É a segunda vez que tenho problema carregando skittles (a primeira vez foi em 2008 voltando dos EUA). Acho que tá na hora de parar, ir pra rehab de doces mesmo.
Aí passaram aqueles lencinhos pra verificar presença de substâncias em mim e nas minhas coisas. Não tinha nada, claro, me deixaram ir.
O vôo pra Lisboa foi tranquilo. Atrasou porque tinha uma área de turbulência ou algo assim. Piloto entrou errado pro pouso, mas como o povo da aviação fala 'pouso bom é o que todo mundo sai andando' então foi um pouso excelente!
Passei a noite toda em Lisboa esperando a conexão pra Brasília, que só sai de manhã. Tô rezando pra não ter problema com as malas. Eu não tenho uma muda de roupa em casa, além de todas as coisas que comprei e são caras... Bem, mais tarde saberei se deu tudo certo. Agora só resta torcer.
E agora é hora de dizer adeus por aqui. Obrigada a todos que acompanharam. Foi divertido ter esse espaço. Não tenho mais twitter e nenhuma outra rede social, tinha que encontrar uma forma de comentar as coisas e aqui serviu perfeitamente. Talvez volte na viagem pro Egito (não sei se o live aboard tem wi-fi, se tiver é uma possibilidade), talvez mantenha escrevendo aqui quando achar que cabe. Não sei. Só sei que esse capítulo termina aqui e foi muito divertido. Até a próxima!

Escrito em 30/7/24.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Londres



Hoje foi meu último dia inteiro em Londres. Só saí pra fazer umas compras. Tô pensando como enfiar tudo nas malas. Vai ter que caber, mas não vai ser fácil. Amanhã vou reorganizar a bagagem pra ver o que posso fazer. Não estou levando lembrancinha pra ninguém. Não tenham esperança. Nem chaveiro. Nem minha caneca que eu queria.
Mas vamos pra Londres. Nessa viagem, vim a Londres em três momentos: 4 dias na chegada (antes de ir pra Inverness), 4 dias depois da Itália (antes de ir pra York) e esse mês inteiro.
Nas duas primeiras vezes, todos os meus posts foram muito positivos. Falei que tinha amado Londres e os londrinos. Quando falava isso pras pessoas que conheci pelo caminho, eles se surpreendiam. A maioria tinha uma história ruim daqui. Diziam que as pessoas eram grosserias, nervosas e apressadas.
Esse mês fui forçada a concordar com eles. Todo dia presenciei briga em transporte público ou mercado ou só na rua mesmo. Gente muito nervosa e irritada. Isso acabou mudando minha atitude por aqui. Depois da agressividade gratuita das mulheres no show do Robbie Williams, passei a ter medo das pessoas. Principalmente mulheres brancas. E, não, aqui não sou vista como mulher branca. Daí pra frente, foi só ladeira abaixo.
Vi homem adulto dando piti de bater os pés no chão e gritar igual criança de três anos porque o cara do metrô disse que ele não conseguiria entrar com a bicicleta. E ele não foi o único. Tô começando a achar que os românticos que critiquei no outro post com os desmaios desmedidos talvez estivessem retratando a realidade da histeria nas terras de cá.
Aqui eles gritam com a pessoa por qualquer motivo. O cartão não passou no ônibus: gritaria. Eles presumem má fé sempre. Pra mim, isso é muito assustador. Não tô acostumada com esse nível de agressividade.
Todas essas coisas fizeram minha atitude mudar. Se nas primeiras visitas eu tinha uma certa abertura pras pessoas, dessa vez mal fiz contato visual. Sabe por que? Vi uma briga enorme no metrô porque um cara encrencou que uma mulher estava olhando pra ele. Teve que ter segurança lá.
Não sei o que mudou da minha última visita pra essa, talvez eu tenha usado mais transporte e saído para lugares mais comuns. Não entendo o que houve, mas é outro clima totalmente. Quando cheguei, tomei o tombo na banheira e fiquei uns dias me recuperando, só andei pelo bairro. Fui ao supermercado uma vez e a mulher gritou comigo porque meu cartão de fidelidade não tem código de barras (não consigo baixar os apps porque Playstore não reconhece que estou aqui) e tem que digitar os números. Digitou, mas antes teve a sessão descarrego dela. Tenho esse problema do cartão desde fevereiro, passei por sei lá quantas cidades, inclusive Londres, e nunca tive problema quando pedia pro pessoal digitar. Nunca. Depois foram as mulheres do show. E todos os dias daí pra frente foram assim. Diretamente comigo acho que foram só essas duas vezes (supermercado e show). Teve um motorista de ônibus que ia começar a gritar comigo por causa do cartão, mas já peguei o dinheiro e ele não gritou. Mesmo não sendo comigo, todo dia tinha uma cena.
Quando voltei de Cardiff, teve cena no ônibus (duas vezes) e no supermercado. Nos dois deu polícia. Não sei como alguém consegue viver nessa tensão a vida toda. Ou não vivem. Às vezes já estão acostumados. Pra mim, foi um mês de tensão constante. Turista já faz merda normalmente (não estamos acostumados com a cultura etc) e tento evitar. Além do nervoso de não querer fazer merda, ainda tinha o medo de levar grito. Então foi isso... Foi um mês que fiz bastante coisa, mas me senti mais isolada do que nunca.
Agora entendo demais quem está com malas prontas pra sair daqui. Obviamente encontrei gente muito legal e prestativa, mas já estava feral. Não queria contato nenhum com humanos. Foi um mês mas difícil.
Por isso também não escrevi tanto. Além de ser cidade e só estar fazendo coisas de cidade, na maior parte, que não me interessam muito, não queria transmitir as bad vibes desses dias aqui. E agora chegou ao fim. Volto pra casa com mala cheia, o coração e a cabeça também. Agora vamos pra vida real que toda fuga é temporária.


Escrito em 28/7/24.